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Está aberta a temporada de caça aos empresários. O governo do Estado de São Paulo e a Fundação Roberto Marinho uniram-se para dar o tiro de largada a um projeto de revitalização da Estação da Luz, um dos marcos do desenvolvimento de São Paulo, que completa cem anos de existência. O projeto é ambicioso. Prevê a criação de um espaço interativo que mostrará a utilização da Língua Portuguesa nas diversas mídias - rádio, televisão, cinema, jornais, revista, teatro -, mantendo a finalidade da velha estação: o transporte. O projeto Integração Centro vai criar uma ligação ferroviária entre as estações de trem do Brás e do metrô Barra Funda, passando pela Luz. O número de passageiros da velha senhora, hoje na casa de 50 mil/dia, vai pular para 300 mil até o final de 2002, quando as obras deverão ser concluídas. O centenário prédio da Estação da Luz, tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional em 1976, será inteiramente restaurado, integrando-se a um processo de revitalização da região central. Um dos cartões postais da cidade, a Luz já foi uma estaçãozinha acanhada de pau-a-pique, por onde passavam imigrantes e cargas vindos do litoral paulista com destino ao interior e por onde se escoava a produção de café, que viria a se transformar na maior riqueza do Estado. "De repente, a modesta estação ficou pequena demais para o poderio dos barões do café", conta Maria Inês Mazzoco, coordenadora de preservação ferroviária da CPTM, bisneta, neta e filha de ferroviários. Até que em 1895, a São Paulo Railway, uma empresa de capital britânico criada especialmente para explorar a ligação ferroviária em São Paulo, iniciou a duplicação das linhas de carga e passageiros. A Luz foi trazida peça por peça da Europa: dos pregos aos tijolos, ao pinho-de-riga irlandês, às telhas cerâmicas de Marselha, na França, à estrutura de aço de Glasgow, na Escócia. O novo prédio, inaugurado em 1º de março de 1901, foi recebido com um pé atrás pela população. Instalado em uma área de 7.520 metros quadrados ao custo de 150 mil libras, era considerado grande demais, luxuoso demais, imponente demais para uma cidade que, por mais que crescesse, nunca justificaria uma obra de tal porte. Deu no que deu. Com o correr dos anos, com o desenvolvimento da indústria automobilística e com o Brasil andando na contramão do mundo ao colocar todas as suas fichas no transporte rodoviário, a Estação da Luz perdeu espaço. E, apesar de seu valor histórico, nunca passou por um processo de restauração. Agora, tudo promete mudar. Afastada há anos de São Paulo, a Fundação Roberto Marinho resolveu voltar em grande estilo. No final do ano passado uniu-se à Secretaria de Cultura do Estado num projeto ambicioso de resgatar a Estação da Luz, onde será implantado um centro de valorização da língua portuguesa destinado a estudantes e ao público em geral. "A idéia é ressaltar o papel da língua no dia-a-dia das pessoas", explica Sílvia Finguerut, gerente geral de patrimônio e ecologia da Fundação Roberto Marinho. O projeto cultural deverá exigir investimento de aproximadamente R$ 20 milhões em dois anos e caberá à Fundação correr atrás de empresários dispostos a colaborar com recursos, serviços, materiais. "Aceita-se qualquer colaboração", avisa Sílvia. Para o projeto de Integração Centro, com custo estimado em R$ 190 milhões, os recursos já foram equacionados. Aproximadamente 50% virão dos cofres do governo estadual e o restante, de financiamento concedido pelo Banco Mundial (Bird). Será construída uma linha paralela à do Metrô, fazendo a interligação da Luz com a estação ferroviária do Brás e com a estação metroviária da Barra Funda. Tudo para facilitar a vida dos moradores da zona Leste, uma verdadeira cidade dentro da cidade, como ressaltou o governador Geraldo Alckmin. Na assinatura do convênio,
o diretor-geral da Fundação Roberto Marinho, José
Roberto Marinho, destacou a importância da criação
de um espaço para valorizar e identificar a língua como
parte imprescindível da formação da identidade brasileira.
E declarou aberto o período de caça a empresários
dispostos a engrossar fileiras para resgatar a maltratada Língua
Portuguesa e a maltratada Estação da Luz. |
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