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Os tropeções ocorridos no mercado de trabalho nos últimos dez anos atingiram em cheio o setor industrial, justamente o que oferecia os melhores salários e era o campeão de empregos formais. Por conta da mudança de processos produtivos e da introdução de novas tecnologias, hoje a indústria produz mais com menos empregados. Dados do IBGE mostram que em 1991 a indústria empregava 22,3 milhões de pessoas. Número que caiu para 16,1 milhões até novembro do ano passado. A retração de 27,8% é bem superior aos 12,16% registrados no mesmo período pela construção civil, o outro setor que perdeu postos de trabalho nas nove regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE, passando de 7,4 milhões para 6,5 milhões. As perdas foram parcialmente compensadas pelos setores de serviços e comércio, que aumentaram o número de vagas em 12,5% e 2,73%, respectivamente. A trajetória declinante manteve-se impávida durante todo a década, mesmo nos momentos em que um bom desempenho da economia facilitou a recuperação dos níveis de emprego. De 93 a 95, o PIB cresceu 5% ao ano. Mesmo assim, a participação da indústria na população ocupada continuou em queda livre. Passou de 20,1% para 19,8% e, depois, para 19,5%, respectivamente. Em todas as frentes - Os empregados da indústria não só perderam vagas de trabalho como a qualidade do emprego oferecido piorou. O número de vagas formais caiu, enquanto aumentou o de trabalhadores por conta própria e informais. Historicamente a indústria é o setor que oferece o maior índice de emprego formal. Em 1991, atingia 79,5% do total dos empregados. Dez anos depois, caiu para 66,50%, retração de 16,3%. Entre a população ocupada, o trabalhador por conta própria representava 20,1% do total em 1991. Passou para 23,1% em 2001, uma expansão de 15%. Na indústria, o índice pulou de modestos 4,1% em 1991 para 9,57% em 2001, um espantoso crescimento de 133,4%, puxado pela onda de terceirizações. Na construção civil, onde esse tipo de trabalho é tradicional, o empregado por conta própria passou de uma participação de 38,22% para 47,7%, aumento de 24,8% em uma década. O emprego sem carteira assinada, por sua vez, passou de 11,58% do pessoal ocupado no setor industrial em 1991 para 18,52% em 2001, crescimento de 60%. A queda de participação da indústria no emprego foi influenciada por mudanças na estrutura da economia. Uma delas foi a abertura dos portos decretada pelo governo Collor em 1990. A concorrência com os importados exigiu que o setor passasse a produzir mais, mais rápido e a preços mais competitivos. O que determinou a enorme onda de terceirização que varreu a economia na década de 90.
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