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Grande parte dos trabalhadores tem bons motivos para acreditar que 2000 foi o ano da virada, tanto em relação à recuperação dos postos de trabalho, quanto na reposição das perdas salariais. É o que demonstra levantamento preliminar do insuspeito Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). O trabalho mostra que 68,78% de 330 acordos coletivos examinados tiveram aumentos iguais (15,45%) ou superiores (53,33%) ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que ficou em 8,43%. Apesar dos ventos favoráveis, 31,22% das categorias analisadas ainda amargaram perdas. Os acordos foram fechados entre janeiro e dezembro do ano passado. O crescimento da indústria, de 6,5% no ano passado, resultou em melhores salários para seus empregados. Entre os 208 acordos salariais do setor industrial examinados pelo Dieese, 57,34% fecharam com aumentos superiores aos do INPC e 13,76% empataram com a inflação. Nos serviços os avanços também foram expressivos: entre os 81 acordos do estudo, 45,68% resultaram em ganhos para os trabalhadores e em 19,75% dos casos os reajustes foram iguais ao INPC. E todos os seis acordos da área rural resultaram em aumentos reais. O comércio foi o único setor onde os acordos que resultaram em perdas foram maioria - 48% dos 25 examinados. Apenas 32% obtiveram aumentos reais e 20% empataram com a inflação. "O crescimento da economia deu força aos sindicatos para brigar pela recuperação dos salários", comenta Wilson Amorim, coordenador técnico do Diesse. "Esse item foi preterido nas campanhas anteriores pela necessidade absoluta de manter os postos de trabalho". Para reforçar a tese, Amorim lembra o número de greves realizadas no ano passado: quase 400, contra as 259 de 1999. O levantamento preliminar do Dieese mostra que os acordos ganharam da inflação por "um nariz". Ou seja, por poucos pontos percentuais acima dos 8,43% do INPC. Mesmo assim, não deixa de ser uma vitória. Desde 1995, o último ano da década em que todas as categorias acompanhadas pelo Dieese tiveram aumentos reais, a maioria dos trabalhadores acumulou perdas sobre perdas. Em 1996, o número de categorias profissionais que conseguiu aumentos acima ou igual à inflação caiu para 60% e em 1997, para 55%. Houve uma pequena recuperação em 1998, quando a proporção subiu para 65%. No ano seguinte, o desastre: apenas 50% dos acordos registraram ganhos ou empataram com os índices inflacionários, exatamente a metade do que foi verificado em 1995. "Saímos
do fundo do poço", comenta Amorim, para quem os acordos fechados
com ganhos em 2000 devem multiplicar-se nesse ano. Ao que tudo indica,
os salários também estão entrando no círculo
virtuoso da recuperação. Leia outros artigos de Joelmir Beting em seu site pessoal. |
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