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Cidadania
e Infância Essa foi a tese defendida pelo Instituto Ethos e pela Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança no lançamento do manual O que as empresas podem fazer pela criança e pelo adolescente. Muito foi feito desde a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente, em julho de 1990. Mas ninguém duvida que o País ainda tem um longo caminho a percorrer. Basta lembrar alguns dados relativos ao Brasil extraídos do Relatório 2000 do Unicef sobre a Situação Mundial da Infância: 1) a cada mil crianças brasileiras nascidas vivas, 42 morrem antes de completar cinco anos de idade e, dessas, 36 morrem antes de completar um ano de idade, num total de 140 mil óbitos/ano; 2) mais de 297 mil crianças nascem, a cada ano, com peso abaixo do normal; 3) 29% de todos os alunos inscritos no ensino fundamental não chegam à 5a série; 4) 400 mil crianças entre cinco e nove anos de idade e 2,5 milhões entre dez e 14 anos trabalham; e 5) mais de 60% delas exercem atividades agrícolas pesadas. Situação triste. Mas já foi pior. Um longo caminho foi percorrido, principalmente depois que empresários descobriram que podem colaborar, e muito, para mudar essa realidade. Oded Grajew, diretor-presidente do Instituto Ethos, lembra que quando se fala em discutir um Projeto Nacional para o País, todos pensam em fazer worshops, conferências, em reunir especialistas de diversas áreas, levantar hipóteses, discutir, definir prioridades. Trabalho para anos, quiçá para décadas. Será que é preciso tudo isso? Grajew acredita em uma solução mais simples: transformar as crianças em prioridade máxima, investindo pesadamente na educação e saúde delas. Exatamente como fazem os pais quando estão preparando seus filhos para o futuro. Esse é o grande Projeto Nacional. E para que ele dê certo, é preciso que toda a sociedade acredite nele, explica. Questão
de atitude Só assim poderemos conseguir transformações substanciais em nosso País, que tem uma das piores distribuições de renda do mundo, alerta o diretor-presidente do Instituto Ethos, uma ONG que em pouco mais de dois anos de existência conseguiu associar 325 empresas. O faturamento somado de 78% delas representa R$ 200 bilhões, o equivalente a 19% do PIB nacional. São empresas que acreditam em seu poder de modificar a realidade. E acreditar vai muito além do discurso. É, antes de tudo, uma questão de atitude, uma questão de efetivamente fazer algo concreto, como mostram os inúmeros casos que ilustram a publicação, patrocinada pela Abecitrus, BM&F e Santista Têxtil. Hélio Mattar, diretor-presidente da Fundação Abrinq, também mostra resultados auspiciosos: em quase dez anos de atividade, a Fundação conseguiu beneficiar 2 milhões de crianças. Mattar bate na mesma tecla: a criança deve ser a maior prioridade do Brasil. Seus direitos já estão garantidos por lei. O novo paradigma é dar a elas proteção total, é fazer valer esses direitos, através de uma união estreita entre Estado e sociedade. E não há dúvidas quanto ao papel dos empresários neste contexto: desenvolver idéias e colocá-las em prática, explica. Nem que seja pensando nos bons dividendos trazidos por esse tipo de investimento, como alerta Carol Bellamy, diretora-executiva mundial do Unicef. Crianças saudáveis em todos os sentidos resultarão em trabalhadores saudáveis. Que, por sua vez, serão melhores consumidores. Uma ligação que qualquer empresário entende. Bellamy lembra: o setor privado não pode substituir o Estado em suas funções. Mas pode e deve complementar a atuação do Estado, criando efetivamente condições de modificar a realidade. E que ninguém pense em nossas dimensões continentais, uma forma de se isentar da responsabilidade e nada fazer, alerta Reiko Niimi, representante da Unicef no Brasil. É sempre possível atuar na comunidade, diz. Se cada empresa, se cada empresário se conscientizar disso, certamente será possível criar um futuro melhor. E comemorar condignamente a Semana da Criança. Leia outros artigos de Joelmir Beting em seu site pessoal. |
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