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O quarteto do mal - racionamento de energia, desaceleração mundial, crise na Argentina e disparada do dólar - prejudicou as negociações salariais entre trabalhadores e empresários no ano passado. Pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) mostra diferenças flagrantes entre os resultados obtidos no primeiro e no segundo semestre, quando a esperança de crescimento já havia escoado pelo ralo. A pesquisa envolveu 529 categorias profissionais que realizaram negociações no ano passado. No primeiro semestre, 72% delas conseguiram arrancar dos empresários reajustes iguais ou superiores à variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). No segundo, com a economia abalada pelos diferentes choques, apenas 46% das categorias profissionais conseguiram ao menos repor as perdas causadas pela inflação. Foi o menor percentual desde que o levantamento começou a ser feito, em 1996. Na média, 64,08% das categorias profissionais analisadas pelo Dieese obtiveram reajuste igual ou superior ao INPC. O pior: dos 529 acordos acompanhados pelo Dieese, 190, 35,92% do total, tiveram reajustes salariais abaixo da inflação. O desastre não poupou nem trabalhadores organizados e historicamente com bom poder de fogo, como bancários e petroleiros. O exemplo dos bancários
é esclarecedor. Quando as negociações foram abertas,
em setembro, eles reivindicavam reposição integral dos 7,32%
do INPC. Depois de uma negociação dura, levaram 5,5%, mais
abono de R$ 1.100 e participação nos lucros em um ano em
que os bancos tiveram lucros recordes. |
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