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O Estado de São Paulo ainda é a locomotiva do País. Responde, sozinho, por 34,95% do Produto Interno Bruto (PIB). Mesmo assim, o Estado está perdendo espaço e o perfil de sua economia mudou - e muito - nos últimos anos. É o que mostra os dados das Contas Regionais de 1999, do IBGE. Em 1990, São Paulo respondia por 37,02% do PIB nacional. Cinco anos depois, ficou com 35,47% e agora, com 34,95%. O encolhimento é debitado, principalmente, na conta da retração da atividade industrial paulista, que sofreu um drástico processo de emagrecimento. Em 1985, a indústria de transformação do Estado representava 46,18% do PIB estadual. Em 90, tinha encolhido para 41,18% e em 1999, para apenas 28,69%. "O fenômeno ocorreu principalmente na segunda metade da década de 80, quando as empresas enfrentaram problemas devido à explosão inflacionária", explicou Eduardo Nunes, chefe do Departamento de Contas Nacionais do IBGE. Como se não bastasse, houve um "movimento migratório" das indústrias para outras regiões, afugentadas pelos altos custos e sindicatos fortes e atuantes, e atraídas por incentivos fiscais oferecidos por outros estados. Na segunda metade da década de 90, o parque industrial paulista começou a dar sinais de recuperação. Chegou a crescer 10% entre 1994, depois do Plano Real, e 1999. "Mas o movimento não foi suficiente para recuperar o terreno perdido", diz Nunes. O vácuo deixado pela indústria foi ocupado. O setor de serviços ganhou espaço no PIB estadual. Em 1985, a atividade imobiliária e de serviços para empresas, incluindo a terceirização, representava inexpressivos 5,07%. Pulou para 7,43% em 1990 e para 17,7% em 1999. O diretor do IBGE chamou a atenção para o aumento do setor financeiro na economia paulista, que passou a representar 46,8% do PIB estadual em 1999, contra os 41,79% em 1985. Nunes acredita que a expansão foi resultado do processo de concentração bancária ocorrido depois da liquidação de bancos como o Nacional, do Rio de Janeiro, Econômico, da Bahia, e do Bamerindus, do Paraná. A administração pública também ganhou espaço. Pulou de 9,75% em 1990 para 12,13% em 1999, puxada pelo regime jurídico único para o funcionalismo, criado pelo governo Collor. Em 85, a participação do Estado limitava-se a 5,85%. Bolo repartido O que não quer dizer que eles tenham diminuído sua produção. "É que outros Estados estão ampliando sua produção em velocidade maior que a deles", explicou Nunes. Foi o que aconteceu com o Mato Grosso, que viu sua participação no PIB nacional pular de 0,69% em 1985 para 1,20% em 1999. "O processo de descontração da riqueza é lento, mas vem acontecendo nos últimos anos no Brasil, com o surgimento de novos pólos de produção", disse o diretor do IBGE. O que significa que, daqui a alguns anos, o retrato da realidade econômica vai ser bem diferente do que o mostrado agora. |
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