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Os tempos mudaram. E para melhor. Pelo menos quando está na berlinda a nova preocupação das empresas, a ação social. O tema ganhou tal impulso nos últimos anos que dirigentes de 30 multinacionais se uniram para criar em São Paulo um braço da United Way International, uma organização não governamental nascida há mais de 100 anos nos Estados Unidos. Sua especialidade: promover o voluntariado empresarial, de olho em resultados concretos. Não é um ato isolado. Pesquisa realizada pela Associação de Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB) junto a 1.715 empresas de todo o país mostra que o termo responsabilidade social está definitivamente incorporado ao dia-a-dia da estratégia empresarial de 95% das companhias pesquisadas. Nada menos que 87% desenvolvem algum trabalho em prol da sociedade. E 90% garantem que a alta administração dedica tempo e esforços nesse trabalho. Além de destinar verbas generosas, claro. É uma mudança qualitativa, reconhece Lívio Giosa, vice-presidente da ADVB e diretor do prêmio Top Social concedido pela entidade para as empresas que desenvolvem trabalhos considerados como referências na área. Há três anos, quando o prêmio foi lançado, era difícil encontrar quem quisesse concorrer. Havia, sim, belos exemplos de benemerência. Hoje, a complicação é outra: escolher o melhor entre os excelentes projetos apresentados, desenvolvidos pela própria empresa ou em parceria com entidades especializadas em Terceiro Setor. Os números são grandiosos. Apenas as 1715 empresas pesquisadas investiram mais de R$ 168 milhões no ano passado e têm 113 mil funcionários trabalhando como voluntários. Cada projeto promovido por elas recebeu, em média, R$ 98 mil/ano. E 36,8 milhões de pessoas foram beneficiadas. Mesmo levando em conta a possibilidade de superposição, é um batalhão considerável. Basta lembrar que São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, as três maiores cidades brasileiras, têm, juntas, pouco mais que 50% desse total: 18,6 milhões de habitantes. As empresas estão de olho no futuro. No ranking dos maiores investimentos, a educação ganha disparado com 58%. Seguida pela saúde (46%), meio ambiente e cultura, cada uma com 39%, qualificação profissional (37%), assistência social (35%) e desenvolvimento comunitário (31%). E a maior parte dos programas é destinado ao atendimento de crianças (48%) e jovens (46%). As prioridades são exclusivas do Brasil varonil. Lá fora, nos chamados países desenvolvidos, os portadores de deficiências encabeçam praticamente todas as listas. Pouco mais da metade
das empresas pesquisadas, 52%, pretendem implantar novos projetos neste
ano e 60% vão gastar ainda mais. E, surpreendentemente, apenas
58% delas usam suas ações como instrumento de marketing
e 81% sequer fazem pesquisa junto a seus consumidores para saber se sua
imagem é de empresa responsável. Realmente muita coisa mudou.
E para melhor. |
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