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No meio das discussões sobre os critérios de corte de energia para atender às necessidades do racionamento, surgiu a idéia de se "apagar" as empresas dos setores industriais chamados "eletro-intensivos" (que usam muita energia elétrica) porque, além de gastarem muita eletricidade, geram poucos empregos. Esse é o caso das empresas de alumínio, aço, petroquímica, e outras. É verdade que essas empresas usam muita tecnologia e possuem - em termos relativos - um pequeno número de empregos. Mas, a questão precisa ser analisada em função do que elas geram de empregos indiretos para trás (fornecedores) e para frente(usuários). De fato, nos últimos 8 anos, a indústria de transformação do Brasil destruiu um grande número de postos de trabalho. Mas essa destruição de empregos foi acompanhada por enormes ganhos de produtividade (7% ao ano, em média), em especial nos setores eletro-intensivos. Isso se transmitiu para os setores do comércio, serviços, agropecuária e setor financeiro. Por quê? É na indústria que se fazem os maiores investimentos em pesquisa e desenvolvimento, e onde surge o maior número de inovações. É a partir dela que o avanço tecnológico se irradia para toda a economia. Por isso, o posto
de trabalho em uma indústria modernizada tem um grande potencial
para gerar postos de trabalho nos demais setores. No comércio,
o efeito multiplicador é muito menor: 100 postos de trabalho em
lojas de varejo (que gastam pouca energia) geram apenas 94 postos nos
demais setores. No setor de serviços, geram 147 - nada comparável
à proporção de 100 para 450 que se encontra no setor
eletro-intensivo. Se pensarmos bem, quase tudo o que se faz nos setores de comércio e serviços tem a ver com a indústria e, em especial, com a indústria de base que inclui as matérias primas e os semi-manufaturados. Os equipamentos, mobiliário e material de um restaurante vêm das fábricas; as instalações de um hospital são feitas nas indústrias; os meios de transporte são produtos industriais; a energia, os fertilizantes, as máquinas agrícolas, as mais variadas formas de lazer, a educação, a justiça, a comunicação - tudo, enfim, se baseia em produtos manufaturados. Disso tudo se conclui pela necessidade de se relativizar o problema do alto consumo energético das empresas que estão nas cabeceiras das cadeias produtivas. O corte de 15% a 25% já determinado, constitui um sacrifício de grande monta. A compra de energia a preços exorbitantes no Mercado Atacadista de Energia é outra sangria. Tudo isso já terá efeitos predatórios no campo do emprego. Imaginem o que acontecerá se essas empresas vierem a fechar suas portas. Para quem tem noções elementares de mercado de trabalho, a idéia é, no mínimo, absurda. |
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