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Inúmeras análises sobre o sindicalismo no Brasil e no mundo têm mostrado um futuro sombrio para as entidades de trabalhadores. Dentre as causas da crise são citados o desemprego, o encolhimento das empresas, a terceirização, o avanço tecnológico, a privatização, a desindustrialização, a globalização e a presença da mulher no mercado de trabalho. Tudo isso tem enfraquecido
o poder de fogo dos sindicatos junto às empresas. Por esse ângulo,
a crise é real. Mas há uma nova face que se fortalece. O
A União Européia se baseia em uma série de tratados estabelecidos entre os países membros. Dentro deles, estão sendo detalhados, no Parlamento da União Européia e nas Comissões Supranacionais, os capítulos dos direitos sociais. Nesse detalhamento,
as entidades sindicais internacionais estão sendo Na adaptação
dessas diretrizes ao ambiente de cada país, os sindicatos Os sindicatos reconhecem que, no presente, continuam perdendo em termos de emprego e salário, mas, para o futuro, estão construindo cidadelas estratégicas. O relacionamento com
a política e o governo sempre foi a marca do Tratam-se de um sindicalismo bem diferente do americano ou do japonês, que se concentra na prestação de serviços de negociação aos seus filiados junto às empresas. O novo sindicalismo europeu está se postando no centro do debate da globalização, em lugar de combatê-la e os seus dirigentes se preparam seriamente para tirar proveito desse processo. As primeiras conseqüências
já começam a surgir até na negociação.
Em lugar de ficarem parados na dicotomia "centralizado vs. descentralizado",
os Resta saber, é claro, como as empresas farão a digestão dessas propostas, e de que forma conseguirão manter e aumentar a competitividade numa economia que se internacionaliza cada vez mais e que se baseia em outros arranjos trabalhistas. Resta saber também qual será o sucesso do próprio Euro e da tão esperada integração européia. De qualquer forma, o estudo da evolução do novo sindicalismo da Europa pode ajudar a entender o que se passa no Brasil. Guardadas as devidas diferenças, aqui também se nota a coexistência de um sindicato perdedor nos campos do emprego e salário e ganhador na ocupação de posições estratégicas quando se observa, com atenção, a crescente presença de representantes das centrais sindicais em órgãos estratégicos como, por exemplo, os conselhos do BNDES, FAT, FGTS e vários outros, sem falar na sua articulação com o Ministério Público e Ministérios do Trabalho, Justiça e Previdência Social. Ademais, é de se destacar o investimento responsável das centrais sindicais no aprimoramento de seu pessoal e no uso de informações atualizadas obtidas através das redes internacionais por elas mantidas e conectadas com organismos que tomam decisões regionais e mundiais como, por exemplo, o Mercosul, NAFTA e OMC. Como os sindicatos
brasileiros sempre se inspiraram mais na Europa do que nos Estados Unidos
ou Japão, não será surpresa se aqui surgir alguma
variante do novo sindicalismo europeu - o que poderá ser acelerado
por uma eventual vitória dos partidos de oposição
em 2002. Num verdadeiro movimento pendular, o Brasil faria uma rápida
travessia, passando do neo-liberalismo para o neo-corporativismo... É
esperar para ver.
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