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Analfabetismo de 50%? Encontrei-me, outro dia, com o Pedro Montanari. Velho amigo e grande profissional de recursos humanos. Ele me cobrou a continuação de um artigo em que tratava das profissões do futuro. O tema é de seu interesse profissional e dos seus três filhos que, como todos os jovens brasileiros, esperam encontrar um lugar ao sol no nosso estreito mercado de trabalho. Hoje, gostaria de comentar não as oportunidades de emprego mas sim o perfil do trabalhador brasileiro. Ninguém tem dúvidas de que a capacidade do Brasil comandar o seu próprio destino no século XXI vai depender basicamente da produtividade da sua força de trabalho. Os trabalhadores lamentam, com razão, a escassez de empregos nos dias atuais. Ao mesmo tempo, os empresários se queixam da falta de mão de obra qualificada dizendo que a preparação dos nossos trabalhadores está muito aquém da velocidade com que se processa a revolução tecnológica e se alastra a economia global. Uma parcela enorme dos nossos trabalhadores, quando trabalham, o fazem de maneira muito precária. Vejam estes números: cerca de 55% estão na informalidade, trabalhando sem carteira assinada e sem o menor amparo previdenciário; 20% recebem menos de um salário mínimo por mês; mais da metade dos que estão nessa situação trabalham em tempo integralíssimo (IBGE, Mapa do Mercado de Trabalho no Brasil, 1994). Ou seja, para uma boa parte da população, o trabalho quando existe é ruim. Examinemos, agora, o outro lado da história: o nível educacional dos trabalhadores. O número médio de anos de estudo da população economicamente ativa do Brasil é de apenas 3,5. Entre as pessoas acima referidas, isso não passa de 1,5 - enquanto que nos Tigres Asiáticos, é quase 10 anos; no Japão, 11; nos Estados Unidos, 12. A educação da nossa força de trabalho é baixíssima. No mundo atual - que vem sendo movido por uma alucinante avalanche de novas tecnologias - não há o que faça os empresários a empregarem uma mão de obra não qualificada. Não há lei, regra ou sindicato que arrume trabalho para quem não consegue apreender continuamente. O próprio conceito de alfabetização mudou muito nos últimos 10 anos. Antes, era considerada alfabetizada a pessoa que assinava o nome e sabia ler e escrever coisas básicas. No novo mundo do trabalho, só é alfabetizada a pessoa que consegue ler um manual de instrução. Nesse conceito, não tenho dúvidas em dizer que cerca de 50% da nossa força de trabalho é analfabeta. Por onde começar? Pelo começo. Está certíssimo o Ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, ao dar ênfase total no ensino de primeiro e segundo graus - mesmo sabendo que essas são tarefas primordiais dos estados e municípios. Sem isso, não será possível pensar-se em produtividade, qualidade e competitividade. Esses conceitos se tornam em artigos de luxo em um país que tem metade da sua força de trabalho mergulhada no mais tenebroso analfabetismo. Muitos argumentam
que isso será demasiadamente demorado. Se é assim, é
bom começarmos logo. Já estamos atrasados. E muito. Além
do mais, as novas tecnologias podem acelerar bastante o processo educativo
nos dias atuais. A Coréia levou 30 anos para educar toda a sua
população e isso foi feito à partir da década
de 50 quando não existia a atual parafernália de TV, informática
e currículos integrados.
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