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O
que esperar da mulher? Numa de suas costumeiras tiradas de bom humor, o Presidente Fernando Henrique Cardoso disse que, ao deixar o governo, pretende voltar à sociologia, para realizar estudos sobre as mulheres pois, do jeito como as coisas vão, logo-logo, “será preciso criar cotas para os homens...”. Com
isso ele quis se referir à inegável ascensão da mulher no mercado de
trabalho, na educação e em várias instituições sociais. Ele mesmo
nomeou a primeira mulher para o Supremo Tribunal Federal, a juíza Ellen
Northfleet. As pesquisas mais recentes mostram avanços animadores. No Brasil, as oportunidades de trabalho para as mulheres cresceram na base de 1,5% ao ano ao longo da última década, enquanto as dos homens aumentaram 0,6%. Em São Paulo, a participação feminina na força de trabalho passou de 47% para 51%. É verdade que os rendimentos da mulher continuam inferiores aos dos homens. Mas a diferença está diminuindo. Ao longo da década de 90, o rendimento médio das trabalhadoras do Brasil cresceu 43% e o dos homens, apenas 19%. Em meados dos anos 90, os salários femininos eram cerca de 57% dos masculinos. Hoje, são 65%. Na educação, o salto foi igualmente expressivo. Em meados dos anos 90, 35% das mulheres de São Paulo tinham pelo menos o curso médio completo. Hoje, são quase 45%. A ascensão se dá em vários campos. Em muitos sindicatos, 30% dos cargos das diretorias devem ser preenchidos por mulheres. Na lei eleitoral, estão asseguradas 30% das vagas dos partidos para as mulheres. No Congresso Nacional, há mais de 20 projetos de lei para assegurar a igualdade de direitos prevista na Constituição. Mas
a maior revolução é a que acontece no campo dos valores das mulheres.
Elas estão cada vez mais conscientes de seus direitos; protestam quando
eles são violados; e despertam a simpatia da população. Nas pesquisas
de opinião pública, 61% dos brasileiros (homens) acham que o Brasil
estaria melhor se fosse governado por mulheres – consideradas mais
honestas e mais eficientes do que os homens (Pesquisa Gallup, Novembro de
2000). Seis capitais do País, elegeram prefeitas em lugar dos prefeitos. De um modo geral, as
mulheres estão ganhando um enorme espaço para gerir sua própria vida.
Isso se reflete, entre outras coisas, na crescente rebeldia contra o
casamento. No mundo inteiro, aumenta o número das que rejeitam casar. Nos
Estados Unidos, a proporção de mulheres que se casam diminui 1% ao ano.
No Brasil, chega a 1,25%. Apenas 34% das americanas dizem que casariam com
o “parceiro ideal“ – do seu ponto de vista. As demais, optaram por
ficar solteira (“Who needs a husband?, Time, 28/08/2000). No Japão, a taxa de
matrimônio também caiu. Mas, o mais grave, é que a grande maioria das
moças não quer ter filhos. As campanhas governamentais não conseguem
convencê-las do contrário. A população envelhece aceleradamente. A
revolução dos valores e dos comportamentos da mulher têm grande
repercussão para toda a sociedade. Basta considerar o desafio que isso
gera para se criar novas políticas públicas, capazes de oferecer proteções
adequadas às crianças e à própria mulher, para, com isso, se estimular
a procriação. Alguns países já passaram por isso, com êxito. Mas, as
experiências bem sucedidas das nações da Escandinavia, mostram que
essas proteções são caras e impensáveis para um País pobre como o
Brasil. Até lá teremos de encontrar soluções para preencher o vazio
deixado pelas mulheres que invadiram o mercado de trabalho, galgaram altas
posições e hoje rejeitam o casamento e a maternidade. Está aí um bom tema para um competente sociólogo que, livre dos afazeres da Presidência da República, terá tempo para estudar e propor soluções para o novo mundo das mulheres... |
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