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A história da educação no Brasil pode ser contada a partir de iniciativas que começaram e não terminaram. Nessas tentativas pode-se incluir inúmeras ações voltadas para a alfabetização de jovens e adultos brasileiros. O analfabetismo, tanto o funcional quanto o absoluto evoluíram, mas talvez não no mesmo ritmo que as tentativas de erradicá-lo. “O governo fala hoje em uma meta de alfabetizar 20 milhões de adultos em quatro anos. É uma meta ousada, mas não é suficiente para atender a demanda por educação que tem o Brasil,” afirmou Liana Borges, do MOVA (Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos), no Rio Grande Sul, durante debate promovido pelo Instituto Itaú Cultural e a organização não-governamental Ação Educativa, nesta quarta-feira, 03/09, em São Paulo. Quando o assunto é alfabetização, é difícil não voltar a questão: acabar com o analfabetismo absoluto (de pessoas que não tem conhecimento algum da língua escrita) ou como analfabetismo funcional (de pessoas que sabem escrever o nome, mas são incapazes de ler um pequeno texto, por exemplo). Para os debatedores presentes, a duração da maioria dos programas de alfabetização de jovens e adultos não contribuem para trazer uma população devidamente educada e preparada. “As políticas públicas precisam de parâmetro, mas os seis meses de duração de programas oferecidos para erradicar o analfabetismo é muito curto para uma aprendizagem completa. As grandes mobilizações ficam com cara de campanha e o resultado não é qualitativo”, disse Vera Masagão, representante da RAAB - Rede de Ação Alfabetizadora de Adultos do Brasil. Para Célio da Cunha, representante da UNESCO no Brasil, o preço da ignorância em razão da falta de investimento contínuo em educação é maior do que se imagina. “Enquanto no mundo exige-se de oito a nove anos de educação básica, no Brasil fala-se de educação em quatro anos. O atraso educacional do país o exclui do cenário mundial e continuará excluindo se não houver investimentos na área”, afirma. O representante da Unesco foi enfático ao afirmar que a falta de financiamento na educação tem mais culpa na atual situação do país em termos educacionais do que a falta de diálogo entre os programas instaurados e a realidade da sociedade civil. “Apenas 4,5% do PIB nacional é investido em educação. Mesmo se o investimento for para 7% ainda não será suficiente”, disse Cunha, que chamou a atenção para o papel imprescindível que tem as empresas privadas. “O setor privado não deveria apenas fomentar a educação, mas investir de fato”. Para Regina Esteves, do Alfabetização Solidária, a dificuldade de ter empresas investindo em educação está no fato delas exigirem resultados imediatos. “A responsabilidade social das empresas atendem a seus interesses mercadológicos. Geralmente agem em locais onde estão instaladas, mas a demanda está justamente onde elas não estão. Surge então, nesse contexto, o problema a empregabilidade”. Convidado também para o debate, João Luiz Homem de Carvalho, Secretário Nacional pela Erradicação do Analfabetismo do Ministério da Educação, não pôde comparecer. (Bianca Justiniano – 04/09/03) |
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