| ||||||||||||
|
Não é apenas na forma de bomba atômica ou de acidente numa usina nuclear que o urânio é fatal ao ser humano. Ele também pode causar a morte de forma mais lenta e insidiosa. É o que demonstra pesquisa realizada pelo físico nuclear João Arruda Neto, do Instituto de Física da USP. De acordo com o estudo, a ingestão diária, por um longo período, de alimentos que contenham urânio, leva ao acúmulo desse elemento altamente radiativo e cancerígeno na medula óssea, e não só nas partes mineralizadas (duras) dos ossos, como se pensava. Antes que se diga que ingerir alimentos com urânio é algo raro, é preciso esclarecer que a presença desse elemento na dieta humana é mais comum do que se imagina. "Ele está presente, por exemplo, nas hortaliças adubadas com fertilizantes fosfatados", explica Arruda. "Assim como na carne de frango e de gado bovino, que recebem complementos minerais para o seu crescimento, como o fosfato bicálcico." De acordo com Arruda, o limite de urânio nos alimentos é determinado pela legislação de cada país. "No Brasil é de 3 partes por milhão (ppm)", informa. "Os fertilizantes à base de fosfato podem ter de 5 a 30 ppm de urânio, índice que pode chegar a 200 no fosfato bicálcico." Não se sabe com certeza quanto disso passa para as hortaliças e rações, mas é provável que passe dos 3 ppm. "Mas mesmo que esse limite fosse observado, existiria risco de contaminação das pessoas", alerta o físico da USP. "Nosso trabalho mostrou que radiação segura é radiação zero." Para realizar as experiências, foram usados cães da raça beagle, fornecidos pelo canil da Universidade de Santo Amaro. "Escolhemos beagles porque eles têm 90% de respostas metabólicas semelhantes às do ser humano", explica o pesquisador. Segundo Arruda, o urânio se acumula nos ossos porque ele mimetiza o cálcio, confundindo o organismo. "Isto é, o urânio é absorvido como se fosse cálcio", explica. "Por isso demos as doses no período de crescimento dos animais, quando os ossos estão em formação e a necessidade deste elemento é maior. Análise feita pelo Ipen mostrou que o Urânio se acumula primeiro na superfície dos ossos e depois atinge a medula, acumulando-se por toda sua extensão. (O Estado de S.Paulo) |
| ||||||||||