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Difícil alguém resistir. Na hora da fome, até o mais gelado cachorro-quente da carrocinha vira o pão com salsicha mais gostoso do mundo. E assim vai. Todos os dias, na hora que estômago ronca, uma multidão de esfomeados abocanha a comida fácil da rua: o churrasquinho de gato, o prato-feito, o pastel de carne, a batata-frita, o self-service. Mas atrás do cheiro bom, que faz aumentar a fome, está o perigo. A higiene precária no manuseio ou a má conservação dos alimentos fazem deles uma ameaça séria à saúde. ''Não aconselho ninguém a comer churrasquinho nem quentinha'', diz a bióloga Berenice Klein, gerente-geral de Fiscalização de Saúde Pública do Distrito Federal. A explicação é simples. Não há como o consumidor saber a procedência da carne e nem como foi o preparo da comida. ''Há muita carne clandestina sendo vendida em Brasília'', alerta a bióloga. Poucos, no entanto, dão importância a essas recomendações. O vendedor de livros Ricardo Dias, de 21 anos, todo santo dia come cachorro-quente em uma barraquinha no começo da W3 Sul. ''Todo lugar é arriscado. É uma bobagem ficar com tanta frescura'', afirma ele, diante do pão com salsicha esquentada na chapa, milho, queijo ralado e batata palha. Mas prestar atenção no que se come está longe de ser ''frescura.'' Alimentos estragados fazem mal. Podem causar de simples diarréia a uma forte intoxicação alimentar. Caso de internação em hospital. O carro onde o vendedor de livro compra o cachorro-quente não tem refrigeração. O tomate e a alface picada são guardados num vasilhame exposto ao sol. Erro primário, segundo especialistas. Os ingredientes de saladas estragam facilmente e, por isso, necessitam estar sob refrigeração. No Setor Comercial Sul, os consumidores também não se importam muito com a qualidade do que comem. O que vale mesmo é o preço bem em conta. As marmitas são vendidas por R$ 1,50. Um almoção: arroz, feijão, macarrão e carne (pode ser peixe, filé de frango, bife ou bisteca de porco). No preço ainda estão incluídos um copo de suco artificial e a salada. ''Final de mês, o tíquete já acabou e a grana está pouca. Sempre compro'', confessa o motorista Armando Nascimento Filho, 36. A vendedora das populares quentinhas, Maria do Socorro Freire, 53 anos, garante que a comida é boa. ''Levanto às 4h da manhã para prepará-la. A comida é vendida ainda quente'', diz ela, abrindo a caixa de isopor e pondo as quentinhas à prova do toque. Por dia, a moradora do Novo Gama vende as 87 marmitas que prepara. ''Tem até advogado que compra da gente porque sabe que a comida é boa. Mas tem gente aí que vende comida amanhecida.'' Na dúvida, é melhor fazer um lanche menos arriscado. Um pastel de queijo com refrigerante, por exemplo. Basta dar uma conferida e ver se o óleo não está escuro e velho e o cheiro é de pastel frito e não de óleo queimado. O milho assado também é uma boa opção para matar a fome, segundo a especialista em saúde pública Berenice Klein. Já o ovo frito, de gema mole, é um perigo. Fuja dele e da maionese caseira ou da industrializada, exposta ao calor. A gema do ovo abriga a salmonella, uma bactéria que, se ingerida, causa forte diarréia, febre e vômitos. Todo cuidado está longe de ser chatice do consumidor. ''Ele tem todo o direito de saber o que está comendo'', diz Berenice. Não há nada demais em dar um conferida na cozinha, por exemplo, nos restaurantes. Principalmente os self-service, que preparam a comida com antecedência. O consumidor pode tirar informações importantes de lá e concluir se vale a pena sentar à mesa. A limpeza do ambiente e o cuidado na manipulação dos alimentos são sinais de preocupação com o preparo da comida. Nunca deve se picar, por exemplo, verduras e frutas sobre a tábua em que a carne foi picada e temperada. É um erro grosseiro. Os germes da carne crua podem migrar para os ingredientes da salada. Outra dica: observe a higienização das folhas. Depois de lavadas, elas devem ficar de molho em solução clorada ou vinagre. Meia hora é o ideal. Não corra riscos Observe a limpeza, a conservação e a organização da banca ou da barraca e dos utensílios. Dê preferência aos locais asseados. Prefira sempre as bancas ou barracas que utilizem pratos e copos descartáveis ou aquelas que possuam água corrente para a lavagem adequada dos materiais. Observe se os alimentos estão protegidos do sol, da poeira e de insetos. Alimentos em ambientes sujos se contaminam e estragam mais facilmente. Evite comprar alimentos que não apresentem data de fabricação, validade, embalagem, nome e endereço do fabricante e número de registro do órgão competente. Alimentos registrados são controlados pelas autoridades sanitárias e, em caso de suspeita de irregularidades, é possível apurar a denúncia. Não compre alimentos perecíveis como carne, peixe, camarão, lingüiça e frango em bancas ou barracas de vendedores ambulantes. Observe se o vendedor da barranca ou da banca está uniformizado, com avental e boné ou gorro de cor clara e limpos. O vendedor deve ser sempre asseado, pois, caso contrário, ele pode contaminar os alimentos. Observe se o lixo da banca ou barraca está acondicionado em recipiente com tampa e se não está espalhado nas áreas próximas. Poderá estar servindo de alimento para insetos e roedores que, por sua vez, contaminam os alimentos. Bactérias e toxinas (substâncias venenosas para o organismo humano) que nós podemos pegar comendo sanduíches na rua Salmonella: bactéria que pode ser encontrada em ovos e maioneses estragadas. Causa vômitos, diarréia e febre alta, que pode fazer com que você seja internado no hospital. Staphylococcus aureos: toxina que pode causar vômitos, que deixam você desidratado (falta de água no corpo). Você pode pegar quando a pessoa que faz o seu sanduíche não lava a mão direito. Shigella: bactéria que causa diarréia grave (fezes aguadas e presença de sangue). Você pode se contaminar com ela se a pessoa não lavar direito a mão antes de preparar sua comida ou se as folhas e os legumes do sanduíche também não forem bem lavados. Vibrio cholerae: essa é a bactéria do cólera. Você pega se os legumes e verduras dos seu sanduíche não forem bem lavados. Escherichia coli: também transmitida pela mão da pessoa que faz seu sanduíche. Pode causar vômito, febre, cólica, calafrios e, principalmente, diarréia grave (aguada e com sangue). Fique de olho Maionese: por ser um alimento que exige muito cuidado no preparo, ela é o principal causador de doenças. Não pode estar aguada, não pode estar amarela e não pode ter cheiro esquisito. Senão é diarréia na certa. Maionese caseira ainda é mais arriscada. Pão: é o que tem menos problemas. É só observar se ele não está muito duro, que mostra que o pão é velho, ou se ele tem alguma coisa fora do normal (cor diferente, que significa que está mofado). Carne: não pode estar com cor e cheiro diferentes do normal. Se estiver azulada ou esverdeada, fuja dela. Já ouviu falar em bife Hulk? Essa cor acontece porque a carne ficou muito tempo fora da geladeira antes de ser frita ou cozida. Outro ponto importante é se a carne está bem firme. Ela não pode estar desmanchando. Ovo: a gema (parte amarela do ovo) deve estar dura, isso ocorre quando o ovo é bem frito. Isso significa que as bactérias nojentas foram destruídas. Se a gema estiver mole, não coma! Salada: deve estar bem limpinha. Dê uma olhada se não tem nenhum bichinho ou larvinha andando na alface ou no tomate. Se a alface estiver escura e murcha não coma, ele está velha. Bacon: deve estar bem frito ou cozido. Luvas: é bom observar se a pessoa que faz o sanduíche está usando luvas. Catchup e mostarda: use apenas aqueles que vêm em saquinhos. Os de tubinhos são proibidos, isso porque nós não temos como saber o que a pessoa colocou lá dentro. No self-service As saladas precisam estar sob refrigeração A comida deve estar quente. A temperatura deve ser de, pelo menos, 60 graus. Nessa temperatura, a maioria das bactérias não resiste. As frutas devem estar protegidas por filme plástico ou protegidas de poeira e insetos. O suco deve ser feito na hora, senão muda de cor, oxida e perde vitaminas. (Correio Braziliense) |
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