|
||||||||||||
|
Daqui a 20 anos, a população mundial deve atingir a marca de 7,5 bilhões de habitantes. Destes, 6,3 bilhões estarão concentrados nos países em desenvolvimento. O crescimento, que quase dobrou nos últimos 50 anos, é uma difícil batalha dentro de uma guerra importante: arrumar comida para tantas bocas. Para isso, pesquisadores e empresas multinacionais estão correndo contra o tempo e investindo dezenas de bilhões de dólares em biotecnologia para criar soluções práticas para o consumidor e, naturalmente, para o mercado. Soluções como frutas sem semente, legumes e verduras mais nutritivos, alimentos geneticamente modificados. No país, tais mercadorias ainda causam muita desconfiança entre as pessoas, seja por conhecerem pouco sobre as técnicas da biotecnologia seja por se preocuparem com as conseqüências que o consumo desses alimentos tem na saúde humana. Os avanços de tecnologia e os impactos para a sociedade são justamente um dos temas do IV Encontro Latino-Americano de Biotecnologia Vegetal, que acontece de 4 a 8 de junho em Goiânia. O consumidor norte-americano já consome óleo vegetal com menos gordura, compra tomate resistente ao amadurecimento e come batatas fritas mais nutritivas. Os brasileiros comem, sem saber, alguns produtos com insumos geneticamente modificados. O país tem uma das leis mais rígidas em relação à comercialização dos produtos transgênicos, mas investe cada vez mais na área. Em 2000, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que no país concentra os estudos sobre melhoramento genético, desembolsou cerca de R$ 14,9 milhões na área de biotecnologia. Para esse ano, são R$ 34 milhões investidos em 33 grandes projetos de melhoramento genético convencional (cruzamentos entre mesmas espécies de plantas) e transgênicos (inclusão de genes de espécies diferentes). ''Desde 1981 até hoje, conseguimos um retorno de US$ 6 bilhões (cerca de R$ 14 bilhões ao câmbio de R$ 2,38) com melhoramento genético de arroz, feijão e soja'', afirma José Roberto Peres, diretor executivo da Embrapa. A empresa aposta forte nas tendências mundiais, como no mercado de frutas, legumes e hortaliças. A máxima é oferecer produtos que dêem menos trabalho para as pessoas a preços mais acessíveis. Pesquisas nos Estados Unidos e na Europa já livraram laranjas, tangerinas, uvas e melancias das incômodas sementes. ''Os consumidores não gostam de polpas com muitas sementes, mas aceitam frutas tropicais com caroços grandes, como é o caso da manga'', afirma o pesquisador Manoel Abílio de Queiroz, da Embrapa em Petrolina (PE). A goiaba é outro exemplo. O especialista acredita que ela poderia ter muito boa aceitação no mercado internacional caso perdesse as inúmeras sementes. LINGÜIÇA
LIGHT A carragena venceu a disputa por ser mais saudável e nutritiva. Ela reduz em 79,1% os teores de lipídios (gordura) e em 47,7%, as calorias. CENOURA SUPERPODEROSA Mas, até o momento, o mercado brasileiro não está preparado para receber produtos diferenciados, inclusive porque os produtores não trabalham com selo de qualidade. A diferença entre a super cenoura e a comum é a cor - laranja bem forte e tons avermelhados - graças aos 35% a mais de beta caroteno. ''O beta caroteno é rico em vitamina A, importante para manter a integridade da pele, da retina ocular e ajudar no crescimento de crianças e adolescentes '', diz Márcia Vítolo, professora de Nutrição da Universidade de Brasília (UnB). Vale um cuidado: excesso de beta caroteno organismo pode deixar a pele amarelada a ponto de ser confundida com sintomas de doenças como anemia, hepatite e bilirrubina. UVAS SEM SEMENTES Há quatro anos, a Embrapa faz cruzamentos artificiais de espécies com e sem sementes para selecionar as que se adaptem bem tanto ao clima mais ameno do Sul quanto ao clima mais seco do Nordeste. E garantir menor preço para o comprador. Atualmente, a pesquisa está na etapa anterior ao lançamento: nos testes de validação com cultivos no noroeste de São Paulo e em Petrolina, em Pernambuco. MAIS MELANCIA A maior dificuldade em conseguir descobrir uma espécie que se adapte ao clima e solo brasileiro se deve ao fato de não existir nenhuma melancia genuinamente nacional. A fruta de origem africana foi melhorada nos laboratórios do Japão e dos Estados Unidos. Além disso, o quilo da semente da melancia ''sem semente'' custa 35 vezes mais do que a melancia comum. Como uma melancia sem semente não tem condições de gerar outro fruto, para conseguir produzir essas sementes é preciso fazer o cruzamento artificial de duas espécies. BESTEIRA SAUDÁVEL Para aumentar o valor protéico do arroz, os pesquisadores adicionaram à quirera a farinha de soja, o que acrescenta 8% de proteína ao produto. Apesar da descoberta estar à disposição dos fabricantes de salgadinhos há um ano, nenhuma empresa se interessou pela nova tecnologia. ''Toda mudança de produto requer investimentos. E as indústrias estão numa situação cômoda já que o consumidor não é tão exigente'', acredita Asquere. SEM ESPINHOS NA LÍNGUA |
|
||||||||||