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Seis meses. Esse é o prazo ideal segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) para que o bebê seja alimentado exclusivamente com leite materno. Apesar de já ser adotada no Brasil há mais de dez anos, a proposta só foi aceita pela OMS este ano. Até então, por falta de um embasamento científico que comprovasse a necessidade dos seis meses, a organização recomendava um prazo variável (de 4 a 6 meses) para a amamentação exclusiva. A decisão da entidade só aconteceu após uma pesquisa, concluída em março deste ano, que revelou que as crianças amamentadas só com leite materno durante os seis primeiros meses de vida tiveram menos diarréia, foram menos hospitalizadas por pneumonia e tiveram melhor desenvolvimento neuromotor (engatinharam e andaram mais cedo). A pesquisa foi feita por especialistas de várias partes do mundo que analisaram cerca de 3.000 estudos sobre amamentação. Após os seis primeiros meses, a mãe deve dar papinhas, sucos e frutas ao bebê, mas pode continuar amamentando até que ele faça um ano ou, no máximo, dois. Segundo a pediatra do Hospital das Clínicas de Porto Alegre Elsa Giugliani, presidente do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria, a introdução precoce de outros alimentos pode causar vários problemas à saúde do bebê. "A introdução de outros alimentos antes da hora aumenta a chance de a criança ter diarréia, infecções respiratórias, otite média, alergias, incluindo asma, diabetes e, possivelmente, síndrome de morte súbita", diz a médica. Até mesmo a água, segundo a pesquisadora, pode provocar infecção intestinal e diarréia. Apesar de ser um tema antigo, a amamentação é um assunto que ainda gera muitas dúvidas entre as mulheres no Brasil. Mitos e falta de informação contribuem para que a média de aleitamento materno exclusivo no país, diferentemente do que é recomendado, seja de apenas 33,7 dias, segundo pesquisa do Ministério da Saúde realizada em 1999 e divulgada no ano passado. Segundo o médico Hamilton Henrique Robledo, membro do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria, a falta de informação sobre o comportamento do bebê e o "funcionamento" da mama durante o aleitamento causam muita insegurança às mães. "Se a mãe for bem orientada durante o pré-natal, uma série de problemas podem ser evitados. Ela deve saber que as mamadas são livres, que não precisa controlar a quantidade nem o horário." Segundo Robledo, muitas mulheres acreditam que, por estarem grávidas ou menstruadas, não devem amamentar o bebê, o que não é verdade. Com o espaçamento entre as mamadas, a mulher tende a voltar a menstruar e corre o risco de engravidar novamente. Se quiser prevenir a gravidez, a lactante não deve tomar anticoncepcionais à base de estrógeno, hormônio que cessa a produção de leite. De acordo com a professora de enfermagem obstétrica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Ana Cristina Vilhena Abrão, coordenadora do Grupo de Incentivo e Apoio à Amamentação da universidade, o mito do leite fraco ou insuficiente ainda é um entrave para a amamentação. "É um problema cultural, até as bonecas são vendidas com mamadeiras como se fosse mais saudável que mamar no peito." Segundo Ana Cristina, muitas mulheres ficam sem leite porque não estimulam a criança a mamar. "Quanto mais leite é retirado, maior será a produção do peito", afirma a professora. "A amamentação deve ser um ato de prazer, para isso a mãe deve saber como amamentar, como posicionar a criança e fazer com que ela abocanhe o peito de forma correta. A maioria dos problemas acontece por alguma falha nesse processo", afirma. De acordo com Ana Cristina, é importante que o bebê alcance toda a aréola do peito ao mamar e não só o mamilo, para evitar rachaduras na pele. O problema das fissuras nos mamilos pode ser prevenido ou contornado com banhos de sol nas mamas. Segundo a fonoaudióloga Cláudia Cotes, a amamentação traz diversos benefícios para a fala e para o posicionamento correto dos dentes da criança. "É importante que o bebê fique inclinado enquanto mama. Se ficar deitado, o leite pode subir para o ouvido ou fazer com que ele engasgue." Licença-maternidade Essa diferença pode ser superada se a mãe retirar o próprio leite, o que pode ser feito com uma bombinha ou manualmente. O leite materno deve ser bem acondicionado em recipientes tampados e refrigerado. Na geladeira, o leite dura 24 horas. Se for congelado, pode durar até 15 dias. O leite deve ser esquentado em banho-maria e oferecido morno ao bebê, o que pode ser feito em copinhos ou com uma mamadeira ortodôntica. A amamentação só não é recomendada a mulheres portadoras do vírus HIV. Outras doenças dependem de avaliação médica. Cirurgia pode interromper
lactação "Muitas pessoas, incluindo a maioria dos cirurgiões plásticos, acreditam que a cirurgia não interfere na lactação. Nosso estudo mostrou claramente o quanto a cirurgia redutora pode influir negativamente", afirma. Segundo Elsa, mulheres que passaram pela cirurgia praticamente não conseguiram amamentar exclusivamente e a duração do aleitamento foi muito menor, quando comparadas a mulheres sem cirurgia prévia. A pesquisa analisou um grupo de 49 mulheres submetidas à cirurgia de redução das mamas que tiveram filhos depois. Quase 30% delas não conseguiram amamentar exclusivamente seus filhos. A pesquisa demonstrou também que a mamaplastia redutora aumenta em nove vezes as chances de a mulher não conseguir praticar a amamentação exclusiva ao final do primeiro mês após o parto e em 12 vezes as chances de a mulher ter que interromper a amamentação após quatro meses. A coordenadora do Grupo de Incentivo e Apoio à Amamentação da Unifesp, Ana Cristina Vilhena Abrão, diz que sua experiência com lactantes confirma os resultados da pesquisa. "Tenho visto muitas mulheres que não conseguem amamentar após cirurgias plásticas. É muito triste, porque o peito fica cheio de leite, mas, como os canais que trazem o leite para fora são cortados na cirurgia, o leite não tem por onde sair", afirma. Segundo Ana Cristina, a maioria das mulheres não é alertada sobre o risco de não amamentar quando faz a cirurgia plástica. (Folha de S.Paulo)
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