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Os franceses pareciam abençoados pela natureza: não engordavam, apesar da excelente culinária. Pois a mágica acabou. Um estudo conduzido pelo Ministério da Saúde da França divulgado recentemente mostra que a obesidade está se tornando um problema no país. Nos últimos três anos, a quantidade de gordos cresceu 17%, ou seja, 655.000 franceses engordaram nesse período. Dos 60 milhões de habitantes da França, 4,2 milhões estão obesos. Ainda não é tanto, se comparado aos Estados Unidos, onde quase metade da população tem uns quilos a mais. Mas preocupa sobretudo porque o fenômeno é mais pronunciado entre as crianças e os adolescentes. Treze por cento dos franceses entre 2 e 17 anos de idade têm excesso de peso. Na década de 60, essa porcentagem era de apenas 3%. Para os especialistas em nutrição o culpado pelo crescimento da obesidade não é o foie gras, os queijos ou o croissant. Na verdade, é o resultado de mudanças nos hábitos alimentares de uma população que era capaz de se manter em forma mesmo cultivando os prazeres da boa mesa. As grandes redes de supermercados estão oferecendo cada vez mais opções de produtos industrializados. As famílias estão enchendo os carrinhos com bolachas e macarrão instantâneo, o que não acontecia com tanta freqüência há sete anos. Os franceses com mais de 35 anos ainda mantêm o hábito de fazer as três refeições diárias normalmente, mas os mais jovens adotaram uma nova mania: a de "beliscar" entre as refeições, outro resultado da maior disponibilidade de produtos alimentares. "Há dez anos não existiam distribuidores de chocolates e salgadinhos nos metrôs de Paris", diz a pesquisadora Marie-Aline Charles, do Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas Médicas. O sedentarismo também contribui para o problema. "O número de horas passadas em frente à televisão está diretamente relacionado ao ganho de peso", diz o nutricionista Arnaud Basdevant, do Hospital Hôtel-Dieu. Os obesos, antes raros na França, já estão organizados em entidades de defesa de seus direitos, como ocorre nos Estados Unidos. Uma delas é a Alegro Fortissimo, associação para mulheres corpulentas que promove desfiles de moda e reúne modelos para diminuir o preconceito num país conhecido pelo culto à beleza das silhuetas esguias. Gordas, mas très élégantes. (Veja) |
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