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A oposição dos países ricos aos produtos agrícolas geneticamente modificados (ou transgênicos) pode comprometer a capacidade das nações em desenvolvimento de alimentar suas populações, de acordo com um relatório das Nações Unidas (ONU). Os movimentos contra os transgênicos - modificados para ter maior produtividade, valor nutricional ou resistência a pragas - é particularmente forte na Europa ocidental e tem um bom número de simpatizantes também nos Estados Unidos. "As discussões sobre organismos geneticamente modificados que estão ocorrendo nos EUA e na Europa ignoram as preocupações e necessidades dos países pobres", diz o Relatório de Desenvolvimento Humano de 2001. "Os consumidores ocidentais que não enfrentam escassez de alimentos, nem deficiências nutricionais e nem trabalham na lavoura tendem mais a se preocupar com a segurança dos alimentos e a possível perda de biodiversidade", afirma o documento. "Mas as comunidades agrícolas de países em desenvolvimento tendem muito mais a se concentrar no potencial de maior produtividade e maior valor nutricional, além da redução do uso de pesticidas que podem contaminar o solo e comprometer a saúde dos agricultores." Nem por isso as Nações Unidas deixam de se preocupar com as conseqüências dos avanços da genética. Na semana passada, em Genebra, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização para Agricultura e Alimentos (FAO) recomendaram que todos os governos testem organismos geneticamente modificados antes que entrem no mercado, principalmente para avaliar o risco de causarem reações alérgicas. O Relatório de Desenvolvimento Humano deste ano avalia três áreas - alimentação, serviços de saúde e sistemas de informação - em que a tecnologia de ponta pode ser útil e extremamente relevante para o Terceiro Mundo, o que representa uma mudança considerável em relação ao trabalho dos outros anos. A ONU lembra que a expectativa de vida nos países pobres cresceu entre as décadas de 30 e 70 por causa de avanços médicos como a penicilina e que o crescimento da produção agrícola na virada do século 19 foi resultado da introdução de novas técnicas no setor. (O Estado de S.Paulo) |
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