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Depois das gorduras, do sal e do pão, os cientistas reabilitaram o chocolate, alimento que traz vários benefícios e não engorda. A novidade foi destaque no 55º Congresso de Medicina Entretiens de Bichat, realizado em Paris. Acusado, ao longo dos anos, de causar grandes males, ou exaltado por suas virtudes (euforizante, estimulante, afrodisíaco), sabe-se hoje que o alimento (que chegou na Europa no século XVI, procedente da América) desempenha também um papel de protetor. Testes com roedores já mostraram seus efeitos de prevenção contra o câncer, doenças cardiovasculares, osteoporose e doenças inflamatórias. Essas propriedades protetoras seriam devido aos polifenóis, substâncias presentes em grande quantidade no chocolate. ''Durante anos, essas substâncias foram consideradas antinutritivas e causadoras de possíveis efeitos negativos sobre a digestão. Mas hoje despertam um grande interesse, devido às suas propriedades antioxidantes'', explicou Augustin Scalbert, cientista do laboratório de doenças metabólicas do Instituto Francês de Pesquisa Agronômica (INRA). Os antioxidantes cumprem a função de resistir aos radicais livres gerados permanentemente pelo organismo e àqueles causados por agressões externas (infecções, fumaça do cigarro, inalação de substâncias poluentes). No caso de doenças cardiovasculares, os testes feitos com animais mostraram que os antioxidantes impedem o depósito de gordura nas artérias, evitando a trombose que causa o enfarte. Nos testes com cânceres de roedores, verificou-se que os antioxidantes evitam também a proliferação de células tumorosas nos casos de câncer de cólon, estômago, fígado, mama, próstata, pulmão, pele e bexiga. Quanto aos benefícios mais ''tradicionais'' do chocolate, como suas qualidades de euforizante e antiestressante, estes são cada vez mais conhecidos e demonstrados e se sabe que se devem aos seus componentes: glúten, magnésio ou cafeína. A boa notícia é que, à exceção de quem tem predisposição genética, e apesar da sua grande densidade energética, o grande consumidor de chocolate não parece correr mais riscos de engordar do que as outras pessoas, indicou o professor Jean-Michel Lecerf, do Instituto Pasteur, de Lille (Norte da França). ''O consumo moderado de chocolate pode ter inclusive um efeito psicológico positivo considerável e, por exemplo, ajudar uma criança obesa a suportar as restrições que lhe são impostas'', acrescentou Lecerf. (Correio Braziliense) |
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