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Depois que o leite materno deixa de ser a principal fonte de alimento, as panelas passam a fazer parte da vida de qualquer mortal. Mesmo sendo objeto indispensável no preparo de alimentos, ele não recebe tratamento à altura de sua importância. Tirando quem é da área, como cozinheiros, gourmets e nutricionistas, poucos se preocupam. Mas o cuidado deveria chegar a todos. Existem componentes nas panelas que fazem mal à saúde e podem passar para o alimento na hora do preparo. ''Nós, consumidores, estamos expostos a vários tipos de contaminação ambiental, que inclui água, alimentos e também panelas. Os efeitos negativos provêm de quase todos os materiais'', adverte Jaime Amaya-Farfan, bioquímico e cientista de alimento da Universidade de Campinas (Unicamp). Segundo ele, a maioria dos materiais são considerados não-tóxicos e, a curto prazo, não trazem dano à saúde. ''O problema é que quando chega a produzir efeito a pessoa não sabe de onde veio'', explica. A nutricionista Késia Diego Quintaes, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, resolveu desvendar a relação das panelas com a saúde. O resultado da pesquisa estará no livro Por Dentro das Panelas, com lançamento previsto para o ano que vem. Os estudos dela começaram com uma tese de mestrado sobre panelas de pedra-sabão. Agora, ela faz doutorado para relacionar a contribuição nutricional dos utensílios de ferro e de pedra-sabão com a saúde e a qualidade das panelas de inox nacionais. Na hora de escolher a panela é preciso observar três qualidades: a saúde, a praticidade e a funcionalidade. ''Deve-se levar em consideração se as pessoas que irão consumir os alimentos preparados nesses utensílios têm carências nutricionais, alergias ou outras patologias'', ensina Késia. As panelas de ferro, por exemplo, são indicadas para famílias com carência de ferro. Esse tipo de panela deve ser reservada para o preparo de ensopados, refogados e molhos. No caso de frituras, seu uso é desaconselhável, por favorecer a deterioração do óleo. Pessoas com insuficiência renal crônica devem evitar panelas de alumínio. As de aço inox devem ser evitadas por pessoas alérgicas ou que tenham sensibilidade ao níquel. Segundo Késia, utensílios de cobre sem revestimento devem ser evitados sempre. ''Jamais usar utensílios fabricados com propósito decorativo no preparo e estocagem de alimentos'', adverte. A chefe de cozinha do Palácio do Planalto, Roberta Sudbrak, acredita que para escolher uma panela é preciso levar em consideração a saúde, mas também a aparência, a durabilidade e a praticidade. ''A panela de inox reúne todas essas qualidades'', diz. Em casa, as preferidas de Roberta são as de pedra-sabão. ''Elas retêm muito calor e deixam os alimentos com sabor de comida caseira'', ensina. Segundo ela, o ideal é usar a mesma panela para o preparo exclusivo de feijão, outra para arroz e outra para ensopado. ''Porque quanto mais a panela é usada, mais ela absorve o sabor que fica impregnado na parede." Além de ter cuidado na hora de comprar, também é preciso saber utilizar e manusear as panelas. O inimigo número um da saúde são esponjas de aço - popularmente conhecidas pela marca Bom Bril. O atrito da esponja na panela aumenta as chances de materiais como alumínio passarem para os alimentos. O ideal é deixar as panelas de molho ou usar água quente. Panela esquecida no fogo é outro grande perigo. O alumínio e o teflon, por exemplo, evaporam. ''Se a pessoa estiver perto da panela pode absorver o vapor do alumínio, que vai direto para o pulmão'', explica Amaya-Farfan. ESCOLHA A PANELA CERTA COBRE ALUMÍNIO INOX FERRO VIDRO Para Roberta, a panela é pouco prática, deixa a comida com gosto artificial e não dá um dourado bonito na fritura de carnes. ''Além disso queima a mão. Também não é possível ter controle da comida porque ela retém calor de forma esquisita - de baixo para cima'', reclama. CERÂMICAS TEFLON ESMALTADA PEDRA-SABÃO (Correio Braziliense) |
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