|
||||||||||||
|
Um pequeno estudo realizado por pesquisadores norte-americanos está oferecendo evidências científicas preliminares que apoiam a idéia de que as mudanças na dieta podem melhorar os sintomas em algumas pessoas com autismo. O autismo é um distúrbio neurológico que prejudica o raciocínio e as funções afetivas e sociais. Geralmente, o problema surge durante os primeiros 3 anos de vida e pode variar na gravidade e no tipo de sintomas, desde prejuízos brandos a graves. A hereditariedade é considerada um fator que contribui para a doença. Ted Kniker tem estudado a teoria de que proteínas alimentares pouco degradadas que passam do intestino para o sangue têm um efeito semelhante a drogas que altera a atividade cerebral. Na primeira parte do estudo, divulgado pela Reuters Health no início de maio, Kniker verificou que cinco pessoas de um grupo de 28 crianças e adultos com autismo apresentaram melhora nos sintomas após eliminar laticínios e glúten do trigo da dieta. Kniker trabalha no Centro de Tratamento para Autismo de Santo Antônio, no Texas. Na segunda parte do estudo, o pesquisador eliminou da dieta dos pacientes vários outros alimentos como trigo-mouro, derivados de soja, tomate, carne de porco e uva. "A melhora foi realmente animadora", avaliou Kniker, que realizou o estudo junto com pesquisadores dos Centros de Tratamento para Autismo do Texas. "Os sintomas mudaram dramaticamente em 39,3 por cento dos pacientes durante a segunda fase do período de intervenção de três meses", disse o pesquisador. Oito de 28 pacientes apresentaram melhora clara, medida por diversos métodos quantitativos, incluindo a Lista de Avaliação do Tratamento de Autismo. "Apenas três pacientes pioraram, mas esperamos que estas pessoas melhorem. Na primeira parte do estudo, cinco pacientes pioraram, mas dois voltaram a seus níveis básicos no último mês do estudo. Pode ser que os outros que pioraram ainda estejam consumindo alimentos potencialmente alergênicos", disse o pesquisador. Kniker afirmou que o autismo não é uma anormalidade no desenvolvimento cerebral, mas provavelmente uma disfunção cerebral secundária a fatores externos, como fatores alimentares, disfunções imunológicas, processos infecciosos ou toxinas. "Nos próximos estudos, vamos melhorar nossa estratégia para identificar todos os alimentos potencialmente desagradáveis por exames sanguíneos, eliminação na dieta e procedimentos de verificação, em vez de impor uma dieta arbitrária", declarou Kniker. Ao comentar o estudo, o professor Andrew Hall, especialista em autismo da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, concordou que "a realização cuidadosa de exames aleatórios dessa abordagem alimentar como possibilidade de tratamento será útil". "O fato do tratamento ser ou não efetivo não implica, necessariamente, em que uma resposta anormal aos alimentos seja parte da causa do autismo. Qualquer resposta anormal aos alimentos poderia ser uma consequência do autismo", observou Hall. Kniker alertou que as medidas de controle do comportamento e as abordagens psicológicas e educacionais do tratamento do autismo ainda serão necessárias porque a melhoria no conhecimento e humor podem ser novos fatores de estresse e demandas para o paciente. "Como observamos no estudo anterior, algumas pessoas que apresentaram melhora na função cerebral demonstraram deterioração no comportamento, à medida que encontravam dificuldade para lidar com estas mudanças dramáticas", disse o pesquisador. Kniker vai apresentar o trabalho durante um encontro na Sicília, no final de junho. (Reuters)
|
|
||||||||||