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Comer é um ritual que, para as crianças a partir dos seis meses, serve como uma fonte de prazer e novidades. As cores, aromas, sabores, o despertar do sentido do tato ao pegar um alimento e o convívio com a família na hora do almoço ou do jantar constituem um mundo novo de sensações, que desenvolvem no bebê o paladar e o gosto pelos alimentos. Mas cabe aos pais estimular tais descobertas ao máximo. Os pais exercem um papel muito importante nesse processo, pois podem ajudar, desde cedo, seus filhos a comer de tudo. Os bebês já nascem com as papilas gustativas, responsáveis por captar o sabor dos alimentos. Mas, por se alimentarem apenas de leite materno, o paladar é o sentido menos desenvolvido das crianças recém-nascidas. ''No começo, as crianças só distinguem quatro sabores - doce, salgado, amargo e azedo - e aos poucos elas devem ser apresentadas às frutas, verduras e legumes em forma pastosa para distinguir os sabores e aprimorar o paladar'', explica a nutricionista Márcia Vítolo, professora do curso de Nutrição da Universidade de Brasília (UnB) e autora do livro Crescendo com Saúde. A introdução desses novos alimentos deve ocorrer a partir do sexto mês de vida, intercalados com as mamadas no peito. Na ponta de uma colherzinha, comece a dar ao bebê um alimento novo por semana - maçã ralada, banana amassada ou um legume bem cozido. ''De preferência puro, para que ele possa reconhecer o gosto e guardar o paladar'', ensina o pediatra Nelson Diniz, com base em sua experiência de 23 anos de profissão. Márcia Vítolo não recomenda o uso de sucos na dieta dos bebês. ''É preferível dar frutas raspadas ou em forma de papas, por terem mais fibras e permitirem que as crianças identifiquem os sabores'', diz o nutricionista. Já o pediatra orienta às mães a introduzir os sucos a partir dos quatro meses, pela manhã e à tarde, mas sem a adição de açúcar ou mel. ''Por ser líquido como o leite materno, é a oportunidade que a criança tem para experimentar novos sabores. Mas o suco deve ser dado nos intervalos das mamadas'', explica Diniz. Ele também ensina os pais a não transmitir preconceitos e gostos pessoais ou culturais ligados ao paladar. ''O melhor estímulo é a experiência de sabores diferentes; o bebê deve testar os mais variados tipos de alimentos para que aprenda a gostar de todos'', diz o pediatra. As mães de primeira viagem, Gecineide de Carvalho Duarte, 20 anos, e Luiza Sofia de Araújo Silva, 38, estão seguindo o conselho à risca. Anderson, bebê de Gecineide de apenas de cinco meses, já saboreia papinhas e sucos preparados e dados pela mãe. Pela manhã, ele come banana ou mamão papaia amassados ou maçã ou pêra raspadas; no almoço, uma sopinha à base de legumes, verduras e carne branca (peixe ou frango); à tarde, a mesma fruta da manhã. Entre uma refeição e outra, ele bebe um suco. À noite, ele mama no peito da mãe. Esse cardápio foi elaborado por uma pediatra. ''Como trabalho como babá e não posso estar em casa para amamentá-lo nas horas certas, fui orientada a introduzir outros alimentos. Até agora ele não rejeitou nada'', conta Gecineide, que mora em um minúsculo apartamento de portaria na 403 Sul, onde o marido trabalha como porteiro. A cirurgiã-dentista Luiza Sofia, mãe de Luiz Antônio, de um ano de idade, mora em um apartamento no Setor Sudoeste e também segue as dicas de um pediatra para alimentar corretamente o filho. Pela manhã e à noite, ela faz questão de amamentá-lo. Como Luiz Antônio já está com um ano, sua alimentação é mais consistente. No meio da manhã e da tarde, um suco e uma fruta raspada ou em forma de purê; no almoço, um prato bem colorido. Na última sexta-feira, o garoto almoçou arroz, batata doce, ervilha e fígado de frango, todos temperados com pouco sal, alho e cebola, cozidos e servidos separadamente. À noite, ele saboreou uma sopa com os mesmos ingredientes do almoço. ''Ele agora está aprendendo a pegar alimentos com as mãos e levá-los à boca'', revela Luiza Sofia, que obedece rigorosamente os horários da refeição e não dá comida industrializada ao seu filho. Como recompensa, o pequeno Luiz Antônio é bom de garfo. O garoto come de tudo, até algumas iguarias como quiabo e maxixe, rejeitadas por muitos adultos comilões. (Correio Braziliense) |
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