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O bife à milanesa dá lugar ao grelhado. O tão popular toque de bacon em refogados é substituído por ervas finas. As saladas frescas e os legumes cozidos têm lugar garantido, mas sem maionese. Para terminar, café ou chá verde, ambos sem açúcar. Parece um spa, mas é o refeitório de uma empresa preocupada com a saúde de seus funcionários. Grandes empresas alteram cardápios para prevenir obesidade, colesterol alto, hipertensão e diabete. Especialistas em nutrição acreditam que a tendência será seguida pelas menores. Há um ano e meio, a assistente de atendimento Andréa McAllister Speltri, de 29 anos, começava no novo emprego. Mal sabia que de lambuja ganharia saúde, emagrecendo 20 quilos. "Eu era uma senhora de 40 anos", afirma, referindo-se à fase em que pesava 84 quilos. Andréa perdeu os quilos a mais, aproveitando a estrutura da empresa onde trabalha. Como todos os funcionários do laboratório Roche, ela dispõe de orientação nutricional personalizada. A cada mês, Rosicler Dennanni Rodriguez, nutricionista do restaurante da Roche, atende oito funcionários interessados em mudar hábitos alimentares. É Rosicler quem monta o cardápio do restaurante da Roche, equilibrando as calorias de cada refeição. Se tem filé de frango à milanesa, uma fritura, nada de doce para sobremesa. Aliás, as frituras são servidas no máximo duas vezes por semana. O mesmo limite vale para saladas com maionese. Tudo é calculado para oferecer ao funcionário uma refeição de 900 calorias, incluindo bebida e sobremesa. Quem quer menos caloria tem outra opção: o prato light. Por exemplo, uma posta de atum com molho de tomate, acompanhada de purê de batata - tão gostoso quanto o prato regular. A refeição light, só com 600 calorias, é a companheira fiel daqueles que, como Andréa, querem emagrecer. "Meu prato parecia o Pão de Açúcar, de tanta comida", lembra o agente de segurança Eduardo dos Santos Filho, de 41 anos. Há dois anos, pesava 99 quilos; perdeu 15, só mudando o hábito de comer sob a orientação atenta de Rosicler. "Não passei fome, comia o prato da dieta e comecei a fazer exercício." Santos aprendeu a escolher os alimentos, montando um prato equilibrado e nutritivo. Festa - As alterações do restaurante da Roche foram feitas aos poucos. Todas as receitas têm pouco sal e gordura. O tamanho de cada porção de carne diminuiu de 190 gramas para 170 gramas (100 gramas por refeição são suficientes para um adulto). "Tudo é explicado ao funcionário; do contrário ele pensa que a empresa está querendo economizar", afirma Rosicler. Oferecer um cardápio saudável não ficou mais caro nem barato. A Roche gasta os mesmos R$ 2 por refeição. O empregado paga só R$ 0,38; a diferença é subsidiada pela empresa, que gasta US$ 2 milhões por ano com a alimentação do pessoal. Comida gordurosa também está sob a mira da nutricionista Elizeth Cazer, responsável pelos três restaurantes da fábrica da Ford. Desde que assumiu o cargo, no começo do ano, Elizeth reduziu a freqüência de frituras, eliminou o saleiro das mesas e o chantilly das sobremesas. Pratos como pizza, pastel e hambúrguer são motivo de festa na empresa. "Só entram no cardápio de vez em quando, em dias especiais", diz Elizeth. Como na Roche. os funcionários da Ford também têm opção de se servir do balcão com refeição light. Com um público de maioria masculina, a nutricionista tem o constante desafio de prever os excessos que eles vão cometer ao se servir. Alexandre Simões Litz, de 30 anos, põe no prato um pouco de tudo. "Se tem duas opções de carne, pego as duas", conta. "Com esse hábito, ele já desequilibrou a refeição", explica Elizeth. Litz concorda, mas acha que ainda é cedo para se preocupar com peso e saúde. A analista de treinamento Sueli Gomes, de 23 anos, já está preocupada com o peso. "Engordei 8 quilos no último ano." Ela revela que exagera no jantar e passa o dia beliscando. "Preciso marcar uma hora para conversar com a Elizeth." Além de responsável pelo cardápio da Ford, a nutricionista orienta o funcionário que quer mudar os hábitos alimentares e perder os quilos extras. (O Estado de S.Paulo) |
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