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Em 1995, um pato veio voando e colidiu com a fachada de vidro do Museu de História Natural de Roterdã. O pesquisador Kees Moeliger ouviu o barulho e foi ver do que se tratava. O pato estava morto, mas outro pato o atacava sexualmente. Impassível, Moeliger acompanhou o "estupro" por 75 minutos e só então espantou a ave pervertida. Escreveu um estudo, O Primeiro Caso de Necrofilia Homossexual entre Patos, que ontem foi contemplado com o IgNobel de Biologia, o prêmio anual aos mais ridículos, inúteis e absurdos trabalhos científicos do mundo. Todos os anos, 5 mil trabalhos são indicados para a "honraria", entregue sem pompa e sem circunstância no Sanders Theatre da Universidade de Harvard. A festa é um escracho total. Os apresentadores têm meia hora para ensaiar suas falas, mas o público, que lota o teatro, delira. Amanhã, os laureados tentam explicar suas pesquisas em palestras no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Para quem imagina que cientistas fugiriam desse mico como diabo da cruz, vale lembrar que todos vão à cerimônia - e pagam passagem e estadia do próprio bolso. Mais: muitos prêmios são entregues por ganhadores do Prêmio Nobel. A festa é apresentada pelo criador do prêmio, o matemático Marc Abrahams, editor da revista Annals of Improbable Research e autor do quase desconhecido hit Craig's DNA, música que foi executada apenas para os pesquisadores do genoma público, no início do ano, na festa de conclusão do projeto - já meio altos depois de tantos brindes, eles pediram um bis para a música que ridiculariza seu rival, Craig Venter, que coordenou o projeto privado.
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