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Aumentou em 2,6 anos a expectativa de vida ao nascer do brasileiro na década de 90. Em 1991, um recém-nascido tinha expectativa de viver 66 anos. Em 2000, essa idade aumentou para 68,6 anos. Mas a expectativa de vida no Brasil ainda é inferior a de todos os países da América do Sul, com exceção da Bolívia. No sub-continente, só a Bolívia (62 anos) tem indicador pior que o Brasil, que fica atrás também de Chile (75), Argentina (73), Venezuela (73), Colômbia (71), Suriname (71) e Paraguai (70). O ganho na expectativa de vida não foi igual para homens e mulheres. Enquanto a esperança de vida ao nascer das mulheres aumentou 2,8 anos no período, para 72,6 anos, a dos homens teve acréscimo de 2,2 anos, para 64,8 anos. Com isso, aumentou de 7,2 anos para 7,8 anos a diferença na expectativa de vida das mulheres em relação à dos homens. A principal explicação para esse fenômeno é o aumento do número de mortes por causas externas (homicídios e acidentes de trânsito, principalmente), que atingem mais os jovens do sexo masculino. Este é um fenômeno principalmente de países da América Latina com alto grau de urbanização, desigualdade social e pobreza, onde a violência urbana está ligada ao tráfico de drogas. Esperava-se que a redução das taxas de mortalidade e de fecundidade seria uma conquista que permitiria se viver mais e com menos filhos. Dados do Ministério da Saúde, de 98, mostram que as mortes por causa externa significam mais da metade das causas de óbito na população de 15 a 24 anos em Recife (67% do total), no Rio (69%) e em São Paulo (74%).
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Apesar da melhoria nos indicadores, a expectativa de vida no Brasil ainda é inferior a de todos os países da América do Sul, com exceção da Bolívia. Segundo dados da ONU (Organização das Nações Unidas), que adota metodologia diferente do IBGE, o Brasil tinha expectativa de vida ao nascer de 67 anos em 1999. O Japão, que tem o melhor indicador, tinha esperança de 80 anos. Na América do Sul, só a Bolívia (62 anos) tem indicador pior que o Brasil, que fica atrás também de Chile (75), Argentina (73), Venezuela (73), Colômbia (71), Suriname (71) e Paraguai (70). A diferença na expectativa entre homens e mulheres é encontrada em quase todos os países do mundo. "O diferencial por sexo, com as mulheres vivendo mais, é universal", diz a socióloga e pesquisadora da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) Mary Castro. Mas ela diz que o impacto das causas externas na diferença entre expectativa de vida entre homens e mulheres é um fenômeno principalmente de países da América Latina com alto grau de urbanização, desigualdade social e pobreza, onde a violência urbana está ligada ao tráfico de drogas. "Esperava-se que a redução das taxas de mortalidade e de fecundidade seria uma conquista que permitiria se viver mais e com menos filhos. Porém, na América Latina, e em especial no Brasil, o que está acontecendo é que no grupo de 15 a 24 anos a mortalidade está aumentando", diz Mary. Ela cita dados do Ministério da Saúde de 98 que mostram que as mortes por causa externa significam mais da metade das causas de óbito na população de 15 a 24 anos em Recife (67% do total), no Rio (69%) e em São Paulo (74%).
A expectativa de vida ao nascer do brasileiro aumentou 2,6 anos na década de 90. Em 1991, um recém-nascido tinha expectativa de viver 66 anos. Em 2000, essa idade aumentou para 68,6 anos. O ganho, no entanto, não foi igual para homens e mulheres. Enquanto a esperança de vida ao nascer das mulheres aumentou 2,8 anos no período, para 72,6 anos, a dos homens teve acréscimo de 2,2 anos, para 64,8 anos. Com isso, aumentou de 7,2 anos para 7,8 anos a diferença na expectativa de vida das mulheres em relação à dos homens. Segundo dados divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a principal explicação para esse fenômeno é o aumento do número de mortes por causas externas (homicídios e acidentes de trânsito, principalmente), que atingem mais os jovens do sexo masculino. Cálculo dos pesquisadores do IBGE Juarez Oliveira e Fernando Albuquerque mostra que, em 2000, a probabilidade de um homem de 20 anos morrer no Brasil antes de completar 25 anos era 3,5 vezes a probabilidade de uma mulher da mesma idade morrer. Em 1991, essa relação -chamada de sobremortalidade masculina- era de 3,15 para a mesma idade. O estudo mostra também que é aos 20 anos que essa relação é maior. Antes dos 15 anos e depois dos 40 anos, a relação cai para menos de duas vezes. "A probabilidade de morte dos homens é maior do que a das mulheres em todas as idades, mas é sobretudo na faixa de 15 a 35 anos que a diferença é maior. Se um homem consegue superar os 35 anos, a expectativa dele aumenta e fica mais próxima da expectativa da mulher", explica Oliveira. Segundo Albuquerque, essa faixa é considerada a "etapa de risco" na vida da população de um país com altos índices de violência como o Brasil, e os homens são os mais afetados por ela. Depois da "etapa de risco", a diferença entre as expectativas diminui, embora a mulher continue com números maiores até o fim da vida. A socióloga Mary Castro, pesquisadora da Unesco, pondera que a esperança de vida maior do sexo feminino não significa, necessariamente, um indicador positivo. "Viver mais não significa que a mulher viva melhor. O país ainda tem altos índices de mortalidade materna, por exemplo, que poderiam ser diminuídos com políticas mais eficientes", afirma. Uma das explicações para a melhoria da expectativa de vida no Brasil é a queda da taxa de mortalidade infantil. Em 2000, segundo o IBGE, a taxa de mortalidade entre menores de 1 ano foi de 33,74 mortes por mil nascidos vivos. Em 1991, essa taxa era de 44,72, uma queda de 24,5% no período. Oliveira cita também como impacto positivo na expectativa de vida a queda na mortalidade por Aids. "No início da década de 80, achava-se que as mortes por Aids diminuiriam a esperança de vida ao nascer do brasileiro. Mas o programa de distribuições de remédios conseguiu diminuir significativamente essa mortalidade na década de 90", afirma. Na comparação
entre os Estados, os da região Sul têm a maior expectativa
de vida. No Rio Grande do Sul, ela é de 71,6 anos, seguido de Santa
Catarina (71,3).
Os aposentados Rosalina dos Santos Barbosa, 90, e Armando Pacheco Barbosa, 93, orgulham-se de ser o único casal da turma de amigos de Copacabana, no Rio. Os outros companheiros de caminhada e de jogos de dominó e cartas são, em sua maioria, viúvos. Casados há 70 anos, eles creditam o aumento da expectativa de vida do brasileiro "aos avanços da ciência". "Acho que os avanços da medicina contribuíram para que as pessoas vivessem mais", diz Armando. Mas sua mulher reclama da qualidade de vida. "A gente pode estar vivendo mais, mas não está vivendo melhor. Temos muita violência e pobreza." O marido, que já foi funcionário da Casa da Moeda e do Ministério da Fazenda, concorda. Eles não têm filhos e dizem que "é melhor assim". "Ter filhos no mundo de hoje é muito complicado. A gente só escuta desgraça", diz Rosalina. As amigas Nélia de Aquino Leida, 69, e Maria das Neves Luna Freire, 79, são viúvas, assim como muitas das mulheres dessa idade no país. "Sou viúva há 27 anos. Depois que o meu marido morreu, tive que aprender a me virar", diz Maria das Neves, rindo. Ela conta que, depois de ficar viúva, começou a procurar emprego. Trabalhou como professora, como recreadora e atualmente é secretária num consultório médico. Nélia se define como "uma viúva alegre" e conta que procura levar uma vida saudável para viver, pelo menos, mais 20 anos. Como é "do tempo em que mulher não trabalhava", ela hoje vive da pensão do marido.
O valor das aposentadorias por tempo de serviço será menor daqui para a frente por causa da maior expectativa de vida dos brasileiros. Com a expectativa de vida maior, a Previdência Social diminui o fator previdenciário, que é um dos componentes para se calcular as aposentadorias por tempo de serviço. Como terá de pagar os benefícios por tempo maior, eles terão de ser proporcionalmente menores daqui para a frente. De acordo
com o professor Wladimir Novaes Martinez, especialista em legislação
previdenciária, a tendência é que ocorra uma redução
em torno de 2%, embora seja difícil quantificar essa queda porque
ela depende de vários fatores, como, por exemplo, a idade da pessoa,
o tempo e o valor das contribuições etc. Com o
passar dos anos, a expectativa de vida dessa pessoa também será
menor. A reversão desse processo -expectativa menor de vida e aumento do fator previdenciário e dos benefícios- demora um certo tempo, de acordo com explicação de Martinez.
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