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Um total de 42% dos universitários não usam preservativos e 64% deles não acreditam na possibilidade de contrair doenças sexualmente transmissíveis com a não-utilização da camisinha. O resultado é que uma em cada quatro brasileiras tem o HPV, vírus transmitido sexualmente que causa o câncer no colo do útero. Toda a campanha que o governo e a imprensa fazem pelo uso de preservativo parece inócua diante da pesquisa realizada com 12 mil universitários paulistas. O mais desanimador é que são justamente as pessoas mais esclarecidas que não têm usado camisinha. O risco não é só de transmissão da Aids. Doenças como o HPV já colocam o Brasil entre os cinco países do mundo com a maior incidência de câncer do cólo de útero. O país só fica atrás da China, da Índia e de nações africanas. A estimativa é que a doença mate 4.000 brasileiras em 2001. A mesma pesquisa mostra que 74% dos universitários bebem e que 43% deles experimentam drogas ilegais. Eles têm o hábito de beber cerveja antes das aulas e vodca ou uísque em ocasiões especiais. Eventualmente, segundo eles mesmos, usam maconha. O estudo surgiu por causa do grande número de acidentes de trânsito e brigas envolvendo alunos embriagados ou sob efeito de drogas. Leia mais Estudo
revela que 74% dos universitários bebem Leia também Aids
aumenta entre idosos brasileiros
Uma em cada quatro brasileiras tem o HPV, vírus transmitido sexualmente que causa o câncer no colo do útero. A falta de um programa organizado de prevenção à doença coloca o Brasil entre os cinco países do mundo com a maior incidência desse tipo de câncer. O país só fica atrás da China, da Índia e de nações africanas. A estimativa é que a doença mate 4.000 brasileiras em 2001. O câncer de colo de útero, quando detectado nos estágios iniciais, pode ser totalmente eliminado, mas apenas 15% das brasileiras submetem-se regularmente ao teste Papanicolaou, que identifica alterações nas células causadas pelo HPV. As pesquisas mostram que o HPV, também chamado de papilomavírus, está associado a mais de 95% dos casos de câncer no colo do útero. Hoje já são conhecidos mais de 100 tipos de HPV, 40 deles genitais. Alguns podem causar tumores benignos, como papilomas e verrugas comuns, e são considerados de baixo risco. Outros tipos, como o HPV 16 e o HPV 18, são vírus de alto risco e podem provocar lesões precursoras de câncer. O problema é que a maioria dos papilomavírus não causam sintomas aparentes, e os portadores não sabem que estão infectados. Por isso é importante que as mulheres façam o teste Papanicolaou uma vez por ano a partir do início da vida sexual. Luisa Lina Villa, chefe do grupo de virologia do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, observa que nem todas as mulheres infectadas terão câncer porque, na maioria dos casos, o próprio sistema imunológico se encarrega de eliminar o vírus. Mas 1 em cada 4 portadoras sofrerá lesões, que, se não tratadas com presteza, vão se transformar em câncer. O HPV, segundo Villa, é muito comum em mulheres com até 25 anos, que ainda não desenvolveram anticorpos suficientes para eliminar o vírus. "Cerca de 40% delas são positivas, mas ainda não apresentam lesões. O índice de infecção cai entre as mais velhas, porque muitas já combateram o HPV", comenta. No homem, o HPV também pode causar verrugas ou lesões nos órgãos genitais, embora em muitos casos os sintomas não sejam visíveis. "Só 40% dos casos de câncer de pênis são causados pelo HPV. O local predileto do papilomavírus é o colo do útero", diz Villa. Não há, atualmente, uma forma 100% segura de evitar a transmissão do HPV. O uso de preservativos nem sempre impede a transmissão porque o vírus não se instala apenas no pênis e na parte interna da vagina, mas em todas as áreas genitais. Várias vacinas contra o HPV já estão sendo testadas, mas a especialista do Instituto Ludwig diz que deve levar cinco anos para os pesquisadores comprovarem a eficácia da imunização e, provavelmente, mais cinco para que as vacinas cheguem ao mercado. O Hospital do Câncer de São Paulo está desenvolvendo uma ampla campanha de combate ao câncer de colo de útero. Estava prevista para esta semana a divulgação de anúncios na televisão, no rádio e na mídia impressa alertando a população para os riscos do HPV. (Folha de S. Paulo) |
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