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O governador Geraldo Alckmin assinou com a Petrobras um contrato para a implantação do projeto de despoluição do rio Pinheiros pelo processo de flotação em dois anos. Pela parceria, a Petrobras assume o custo e a responsabilidade pela execução da obra, orçada em cerca de R$ 130 milhões, com a instalação de sete estações de tratamento. As duas primeiras estações deverão ser instaladas em trecho de cinco quilômetros do rio: a primeira entre as pontes Socorro e Interlagos e a segunda junto à Usina Elevatória de Pedreira. Segundo o governo estadual, com a despoluição do Pinheiros, o rio poderá ter novamente seu curso invertido do Tietê para a represa Billings. Com isso, será possível aumentar a geração de energia na Usina Henry Borden, em Cubatão. No entanto, ambientalistas e um especialista em geração de energia são contra o projeto de despoluição do Pinheiros por flotação. Eles consideram que o processo vai apenas maquiar o real problema de poluição do rio e não oferece garantias de que vai deixá-lo limpo o suficiente para ser bombeado para a Billings. Leia mais: Petrobras
faz acordo para limpar o Pinheiros Leia também: Especialistas desconfiam de projeto Começa
em 2002 nova fase de despoluição do Tietê.
Petrobras, Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) assinam depois de amanhã convênio para início do processo de despoluição do rio Pinheiros por meio da flotação. A estatal se comprometerá a investir um total de R$ 130 milhões na implantação de sete estações ao longo do rio e seus afluentes. Em contrapartida, espera receber a energia extra que será produzida na usina de Henry Borden (em Cubatão, na Baixada Santista) quando o Pinheiros voltar a ser bombeado para a represa Billings, que alimenta a hidrelétrica. O artigo 46 das disposições transitórias da Constituição do Estado de São Paulo proibiu em 1992 o bombeamento das águas do Pinheiros para a Billings enquanto o rio não se enquadrasse na classe dois do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). Para tanto, ele precisa voltar a ter oxigênio dissolvido, abrigar vida aquática (plantas e animais) e ser límpido. É isso que a flotação promete realizar num período de aproximadamente dois anos. O secretário de Estado do Meio Ambiente, Ricardo Tripoli, não cogita falhas no processo - já adotado nos lagos do parques Ibirapuera e da Aclimação e no Horto Florestal de São Paulo. Ambientalistas e especialista, porém, duvidam de sua eficiência num rio que tem 24 km de extensão e uma vazão sujeita às chuvas (ler texto ao lado). A proibição da reversão do Pinheiros tinha o intuito de proteger a qualidade das águas da Billings, uma vez que seu uso prioritário é para o abastecimento. O bombeamento só é permitido hoje para controle de enchentes. O Pinheiros é atualmente um rio morto, que tem cerca de 20 mg de carga poluidora (efluentes domésticos e industriais) para cada litro de água, segundo o relatório de qualidade das águas do Estado, feito pela Cetesb (agência ambiental do governo paulista). A flotação vai começar em duas estações. A intenção é tratar inicialmente 10 mil litros de água por segundo. Em cerca de oito meses, a partir de fevereiro, será possível avaliar se o trecho do rio foi realmente limpo, diz Tripoli. O "projeto piloto"
servirá também para silenciar as críticas à
eficácia do processo, avalia o secretário. As primeiras
estações custarão R$ 42 milhões à Petrobras. A flotação
consiste na aplicação de agentes coagulantes, como sulfato
de alumínio ou cloreto férrico, na água suja. Essas
substâncias provocam a aglutinação dos poluentes,
formando flocos que se depositam no fundo do rio. De acordo com o secretário Ricardo Tripoli, a avaliação da eficácia da flotação será reforçada pelo controle biológico de peixes que ficarão em tanques com a água do Pinheiros, depois de o processo haver terminado. (Folha de S.Paulo)
Ambientalistas e um
especialista em geração de energia ouvidos pela Folha são
contra o projeto de despoluição do Pinheiros por flotação.
Eles consideram que o processo vai apenas maquiar o real problema de poluição
do rio e não oferece garantias de que vai deixá-lo limpo
o suficiente para ser bombeado para a Billings. "Não há demonstração de que ele funciona em cursos d'água extensos e de vazão irregular, como é o Pinheiros. O acordo traz, portanto, risco para o poder público, que já se comprometeu em vender a energia gerada pelo bombeamento da água limpa. A flotação não ataca as causas da poluição, que são os esgotos jogados sem tratamento na água, e a vazão que irá para a Billings deixará de gerar energia nas usinas ao longo do curso do Tietê (onde o Pinheiros deságua) até Itaipu", resume. A desconfiança na eficiência da flotação leva ao medo de que, para cumprir um contrato, a água do Pinheiros seja bombeada sem que sua qualidade obedeça aos parâmetros necessários. "Isso poderia comprometer o abastecimento de cerca de 4 milhões de pessoas porque um dos braços da Billings [o Taquacetuba" ajuda no fornecimento de água para a zona sul", diz Marússia Whately, do Instituto Socioambiental (ISA). Sauer diz que a escolha da Petrobras para instalar os sistemas foi "um mal menor" porque se trata de uma empresa pública. "Minha sugestão, porém, seria que a Sabesp limpasse o rio, tratando o esgoto, e recebesse a energia gerada para usar no abastecimento e saneamento, o que baixaria as tarifas de água." (Folha de S.Paulo) |
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