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Pela primeira vez, o tema da "diversidade sexual" e da aceitação do homossexualismo será tratado em família, na grande mídia e por iniciativa do governo. É a próxima campanha de combate à AIDS, que enfoca o homossexualismo devido ao aumento do número de casos nesse grupo. A partir de janeiro, filmes sobre o tema começarão a ser exibidos na TV em horário nobre. A campanha promete ser polêmica já que a Igreja condena tanto o homossexualismo quanto o uso de camisinha. Há vários anos os grupos gays reivindicam ao Ministério da Saúde que inclua os homossexuais nas suas campanhas nacionais. A Aids já matou 35 mil homossexuais no Brasil, outros 25 mil estão doentes e 120 mil estariam infectados. Depois de anos lutando para evitar esse estigma, e depois de a população absorver o conceito de que não há grupos de risco - e sim comportamentos de risco -, a campanha poderia significar um retrocesso. O aval foi dado pela
coordenação e pelas Organizações Não-Governamentais
(ONGs) depois que as partes definiram que a campanha trataria da tolerância
e da não-discriminação, e não apenas da prevenção.
As ONGs estão comemorando outra reivindicação antiga:
a distribuição pela rede pública de gel lubrificante.
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O pai atende à porta e dispensa o rapaz dizendo que o filho não quer mais saber dele. De volta à sala, diante do filho de olhos tristes, o pai informa que o rapaz já foi embora. "Você encontrará outro, não fique triste." A mãe, ao lado do filho, complementa com um misto de censura e compreensão: "Outro que use camisinha..." A cena deve ser apresentada nas TVs, rádios, revistas e outdoors de todo o país a partir de meados de janeiro - em horário nobre e com o patrocínio do Ministério da Saúde. É a primeira vez que o tema da "diversidade sexual" e da aceitação do homossexualismo é tratado em família, na grande mídia e por iniciativa do governo. A cena dos pais conversando com o filho sobre o namorado é a proposta que mais agradou às ONGs que participam do comitê assessor da Coordenação Nacional de Aids. Pelo menos duas outras estão sendo preparadas. "Caberá ao ministro (José Serra) a escolha da campanha final ", disse Paulo Roberto Teixeira, coordenador do programa nacional. Há vários anos os grupos gays reivindicam ao Ministério da Saúde que inclua os homossexuais nas suas campanhas nacionais. Em documentos enviados ao ministério, o último deles em junho passado, os fóruns que reúnem ONGs-Aids e HSH (homens que fazem sexo com homens) lembram que o próprio governo já vinha falando em um "recrudescimento da epidemia junto aos homens com práticas homossexuais". Em outro documento, os grupos lembram que a Aids já matou 35 mil homossexuais no Brasil, outros 25 mil estão doentes e 120 mil estariam infectados. Ao anunciar, no mês passado, o compromisso de uma campanha nacional sobre o tema, o coordenador Paulo Teixeira foi aplaudido pelas ONGs. A relutância em levar a questão gay para a grande mídia tem a ver com a discriminação e o estigma já sofridos pelos homossexuais, diz Teixeira. "Continuamos achando que uma campanha de massa falando da transmissão entre homens pode ter um impacto negativo, pois pode caracterizar os homossexuais como grupo de risco." Depois de anos lutando para evitar esse estigma, e depois de a população absorver o conceito de que não há grupos de risco - e sim comportamentos de risco-, a campanha poderia significar um retrocesso. O aval foi dado pela coordenação e pelas ONGs depois que as partes definiram que a campanha trataria da tolerância e da não-discriminação, e não apenas da prevenção. "Buscávamos a diversidade sexual, e é isso que a campanha deve mostrar", disse José Araújo, do Grupo de Incentivo à Vida. "É um momento oportuno para combater o preconceito", diz Beto de Jesus, presidente da Associação da Parada Gay de São Paulo. Os dois participam do comitê assessor dessas campanhas. Até agora, lembra Mario Scheffer, do Grupo Pela Vidda, o trabalho com homossexuais vem se restringindo a projetos dirigidos. Um deles é feito pelo grupo nos bares gays de São Paulo. Outras duas campanhas chegarão às ruas em dezembro. Em São Paulo, numa parceria do governo do Estado com ONGs, um filme tratando da questão do homossexualismo e da Aids abrirá as sessões de cinema. No dia 1º, a campanha nacional do Dia Mundial de Luta Contra a Aids retoma a preocupação com os heterossexuais. As ONGs estão comemorando outra reivindicação antiga: a distribuição pela rede pública de gel lubrificante. Representantes do Ministério da Saúde e do Far-Manguinhos, laboratório da Fiocruz, assinam hoje uma parceria para iniciar a produção do gel. O produto, que evita o rompimento do preservativo especialmente na prática do sexo anal, será distribuído prioritariamente aos homossexuais, profissionais de sexo e usuários carentes. Nos próximos seis meses, as ONGs organizarão pesquisa sobre o uso, os riscos e os benefícios do gel. (Folha de S. Paulo)
Cena 1: Nu sobre a cama, o jovem se debate com um sonho erótico, animado por imagens andróginas. Acorda feliz, procura uma camisinha na gaveta, coloca-a, salta de volta para a cama e o sonho erótico recomeça. Cena 2: No banheiro do cinema de "pegação" - salas que exibem filmes pornôs para homossexuais -, gays de diferentes "estereótipos" exibem grandes próteses de pênis coloridos para o "check-in" dos que chegam. Na disputa, o escolhido acaba sendo um rapaz de óculos, que se apresenta com camisinha. Como prêmio, fica com o "mais disputado". A primeira cena, chamada "Fantasia", será exibida nos cinemas comerciais, abrindo as sessões. A segunda, "Exibicionistas", será apresentada nos cinemas pornôs para homossexuais, no início das sessões, e na abertura dos filmes de vídeos eróticos gays. Os dois filmes estão sendo produzidos numa parceria entre a Coordenação Estadual de DST-Aids e o Fórum de ONG-Aids-HSH ("homens que fazem sexo com homens"), com apoio do Ministério da Saúde. Um terceiro trabalho, um vídeo de 20 minutos, será destinado a professores e profissionais ligados a educação e saúde. Os três trabalhos, feitos pela produtora "3 Laranjas", serão apresentados no dia 30, na Faculdade de Saúde Pública, da USP. "Os filmes farão parte da campanha nacional e serão mostrados em todo o país", diz Cristiane Gonçalves Meireles da Silva, da Coordenação Estadual de Aids. Os filmes colocam a questão da homossexualidade de forma dissimulada. O jovem que acorda com sonhos eróticos e procura a camisinha pode estar sonhando com um homem ou uma mulher. "Procuramos mostrar situações com humor", diz o diretor Markus Ribeiro. A campanha que será veiculada pelo ministério, em janeiro, também traz essa preocupação. "Nós estamos buscando uma situação que envolva a família e o homossexual", diz Beto de Jesus, da Associação da Parada Gay. Em todos os casos, a questão da auto-estima é valorizada. "Alguém sem auto-estima não se protege", diz José Araújo, do GIV de São Paulo. (Folha de S. Paulo)
Os homens, novamente, são o tema da campanha deste Dia Mundial da Luta Contra a Aids, comemorado em 1º de dezembro. O slogan, em geral proposto pela Unaids (órgão das Nações Unidas para a Aids), sugere para 2001 a frase "I care, do you?", que deve ser traduzida como "Eu me importo (ou "eu me cuido'), e você?". No ano passado, o slogan foi "Não leve a Aids para casa", chamando a atenção para os homens heterossexuais que estariam infectando suas mulheres. A campanha foi criticada por ONGs formadas por pessoas que vivem com HIV e Aids. As campanhas vêm sendo feitas mundialmente desde 1988 e já trataram de todos os temas, exceto do homossexualismo. O slogan da primeira era "Junte-se ao esforço mundial". A segunda, de 1989, dizia: "Cuidemos uns dos outros". Três propostas para a campanha deste ano estão sendo detalhadas pela Master, agência contratada pelo Ministério da Saúde. Uma delas mostra alguém saltando em um precipício enquanto o texto compara esse gesto ao risco de fazer sexo sem camisinha. O final dessa proposta é feliz. O pára-quedas se abre e surge a afirmação de que "você pode mais com camisinha". Uma segunda proposta mostra um jovem que acorda assustado ao notar que um estranho dorme ao seu lado (não se sabe se homem ou mulher). Ao descobrir uma camisinha aberta e usada, o jovem se tranquiliza. Uma terceira idéia trabalha com a prevenção e a diversidade sexual, situando o comportamento sexual ao lado de etnias e outras opções, como a religiosa. Um dos personagens dessa proposta afirma: "Eu sou branco e posso pegar Aids"; o outro, "Eu sou cristão e posso pegar Aids"; um terceiro, "Eu sou heterossexual e posso pegar Aids". A frase final lembra que, não importa quem você seja nem com quem faça sexo, o importante é que você use sempre a camisinha. A proposta que será veiculada nas TVs, rádios, revistas e outdoors de todo o país será definida pelo ministro José Serra na próxima semana.
A lei estadual sancionada pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, prevê punição para empresas que inibirem ou proibirem a contratação ou o acesso profissional de homossexuais em qualquer estabelecimento, tanto público como privado. A discriminação será punida com multa de mil Ufesps (Unidade Fiscal do Estado de São Paulo), no caso da primeira desobediência, e 3.000 quando houver reincidência. As punições serão aplicadas pela Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania após denúncia da vítima e instauração de inquérito. Além das multas, os estabelecimentos infratores podem ter cassação da licença estadual para funcionamento.
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