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Os brasileiros estão com medo. A violência é atualmente o maior problema do país na opinião de 21% deles - chega a 27% entre paulistas e 29% entre paulistanos, segundo pesquisa feita nos dias 20 e 21 de fevereiro pelo instituto Datafolha. É um recorde - o maior índice desde 96. A explosão é recente. Dois meses antes, a violência afligia prioritariamente 10% dos entrevistados. Em 98, quando os atuais governantes foram eleitos, esse grupo era de apenas 3%. Historicamente, a violência preocupa menos do que o desemprego, eterno líder das aflições nacionais, com 32% das indicações. Mas nunca se aproximara tanto dele na lista das mazelas. Anos atrás, perdera no ranking para a saúde, a miséria, a educação, a economia e até a corrupção. Hoje, deixa todas para trás. Pior: o avanço da violência leva os brasileiros a se armarem. A pesquisa indica que 12% das pessoas moram em casas onde há armas de fogo. Muitas delas são irregulares, já que há no país apenas 2,91 milhões de armas cadastradas. Isso prova que a sensação de desamparo leva os indivíduos à agressividade, num perigoso círculo vicioso que alimenta a mesma violência que os preocupa. Dos entrevistados pelo Datafolha, a maioria defende a pena de morte (51%), a prisão perpétua (72%) e a convocação dos Exército para combater a violência (84%).
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Os brasileiros estão com medo. A violência é atualmente o maior problema do país na opinião de 21% deles -chega a 27% entre paulistas e 29% entre paulistanos, segundo pesquisa feita nos dias 20 e 21 de fevereiro pelo instituto Datafolha. É um recorde -o maior índice desde 96. A explosão é recente. Dois meses antes, a violência afligia prioritariamente 10% dos entrevistados. Em 98, quando os atuais governantes foram eleitos, esse grupo era de apenas 3%. Historicamente, a violência preocupa menos do que o desemprego -eterno líder das aflições nacionais, com 32% das indicações. Mas nunca se aproximara tanto dele na lista das mazelas. Anos atrás, perdera no ranking para a saúde, a miséria, a educação, a economia e até a corrupção. Hoje, deixa todas para trás. Feita em fevereiro, a pesquisa, por um lado, sucede uma certa estabilização dos principais indicadores de violência -roubo, furtos e homicídios. Por outro, vem após a explosão dos casos de sequestros e a divulgação de eventos de forte repercussão, como os 53 dias de cativeiro de Washington Olivetto e o assassinato de Celso Daniel, prefeito de Santo André. Ocorridos em São Paulo, os episódios têm mais impacto social, segundo estudiosos da violência urbana. Aliados à descrença na capacidade de reação do poder público e a uma sensação de abandono, corroem a percepção de segurança e alavancam a violência na lista das inquietações. "Isso ocorreu no Estado do trabalho, do dinheiro. No inconsciente coletivo, o trabalho não está vencendo o crime", diz o psiquiatra Jorge Forbes, 50. "A violência está muito presente no cotidiano. Ficar uma hora e meia esperando o ônibus também é uma violência. E isso faz o sujeito se sentir menos cidadão. Daí, o medo. Ele se sente dependente dos outros para mudar tudo", afirma o também psiquiatra Antonio Carlos Cesarino, 68. Desamparados, os brasileiros se armam. O Datafolha indica que 12% das pessoas moram em casas onde há armas de fogo -em meados de 99, o índice era de 8%. Muitas delas são irregulares, já que há no país apenas 2,91 milhões de armas cadastradas. Para Cesarino, isso prova que a sensação de desamparo leva os indivíduos à agressividade, num perigoso círculo vicioso que alimenta a mesma violência que os preocupa. "A impotência e a frustração levam a posturas e discursos extremos. Na psicologia isso é claro: quanto mais atingido, maior minha agressividade interna." E o discurso dos brasileiros tende mesmo à agressividade. Dos entrevistados pelo Datafolha, a maioria defende a pena de morte (51%), a prisão perpétua (72%) e a convocação dos Exército para combater a violência (84%). "Do desespero e do estresse decorre uma reação pós-traumática, que faz com que eu queira me ver livre da ameaça do modo que julgo mais curto", finaliza Cesarino. A reação emocional soma-se, continuam especialistas, a um questionamento objetivo da eficácia do sistema em vigor. "Todo mundo sabe que não se descobre a autoria da maior parte dos crimes, que os criminosos, quando presos, ou fogem ou são soltos rapidamente. É um sistema de pânico", diz Marino Pazzaglini Filho, 58, procurador de Justiça e presidente do Instituto Milton Campos (ligado ao PPB). As respostas, porém, são vistas mais como um grito difuso por providências do que como reflexo de uma desejo real. "A partir do momento que a população se convencer de que o governo está interessado em resolver o problema da segurança, essa opinião vai mudar", diz Geraldo Cavagnari, 67, coronel da reserva e coordenador do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp. Por esse raciocínio, não é de hoje que a população duvida do empenho das autoridades. Em anos anteriores, o Datafolha havia feito perguntas sobre a pena de morte e a presença do Exército. A aprovação à punição capital apresenta pequenas oscilações. Ao Exército, está crescendo. Para Nancy Cardia, 54, psicóloga social e coordenadora de pesquisas do Núcleo de Estudos da Violência da USP, a presença do Exército contra o crime é uma "fantasia pacificadora". "É como se dissessem: "vem aí o último recurso, a cavalaria". Há pessoas que contemplam a idéia de que o Exército é a única saída porque é encarregado de guerrear e, se estamos em guerra, devemos chamá-lo. É fantasia de verão, porque as pessoas não sabem que eles não são treinados para isso." O Datafolha ouviu 3.857 pessoas em 153 municípios de todos os Estados. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. |
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