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A prefeitura do Rio de Janeiro está dando um exemplo de cidadania. Os adolescentes pegos pichando muros da cidade são "condenados" a pintar paredes de escolas. Ao todo, 86 menores de várias classes sociais já receberam como punição remover os garranchos - tanto os deles quanto os de outros colegas. A imposição é uma modalidade de pena alternativa: o menor não é recolhido a uma instituição, mas fica obrigado a cumprir serviços comunitários. O tempo de punição, fixado pelo juiz, varia de três a cinco meses. Um problema enfrentado pelo programa é que muitos pais de menores pichadores não compreendem a natureza da pena aplicada. Para evitar constrangimentos, a Guarda Municipal recolhe o menor para o trabalho comunitário em um local previamente combinado, um pouco distante de casa. Outra tática é escolher uma escola a ser recuperada em um bairro diferente daquele em que o adolescente mora. O exemplo carioca vem sendo seguido pelos governos estadual e municipal de São Paulo. Ambos estão convidando os pichadores para dar aulas de grafitagem em escolas públicas. O setor pública não é o único a valorizar essa arte popular. Algumas construtoras paulistas estão contratando os pichadores para grafitar os tapumes que cercam as construções. O fato é que esses adolescentes, antes marginalizados, passam a serem incluídos na sociedades pelo trabalho artístico que fazem. É um tipo de intervenção urbana que vem sendo valorizada. Um dos projetos da Cidade Escola Aprendiz faz exatamente esse tipo de trabalho. Leia também Centésimo
muro encerra projeto de intervenção estética em SP
A cada mão de tinta, os garranchos vão sumindo aos poucos das paredes pichadas. A iniciativa para eliminar este tipo de vandalismo urbano, reuniu há alguns dias, na escola municipal Francisco Alves, em Botafogo, adolescentes arrependidos e guardas municipais. A, de 16 anos e B, de 14, estão entre os menores que participam de um programa feito em parceria entre a prefeitura e a 2ª Vara da Infância e Juventude. A. e B. são ex-pichadores que foram presos em julho, quando deixavam suas marcas em um prédio público. Como punição, foram condenados a apagar as inscrições dos muros de escolas. As gangues de pichadores reúnem em média 50 pessoas, que têm de 13 a 23 anos, segundo levantamento do serviço reservado da Guarda Municipal. Ao todo, 86 menores de várias classes sociais já receberam como punição remover os garranchos - tanto os deles quanto os de outros colegas. A imposição é uma modalidade de pena alternativa: o menor não é recolhido a uma instituição, mas fica obrigado a cumprir serviços comunitários. O tempo de punição, fixado pelo juiz, varia de três a cinco meses. Morador de uma favela da Zona Norte, A. diz que muitos amigos abandonaram as gangues quando souberam o tipo de punição que ele recebeu. ''A idéia é essa: desencorajar os adolescentes com as histórias contadas pelos amigos que foram punidos'', diz a inspetora da Guarda Municipal Tatiana Mendes Freitas, coordenadora do programa de Ronda Escolar. Nem sempre as palestras feitas pelos agentes da ronda para desestimular os pichadores e o medo da punição são suficientes. Na escola Francisco Alves, onde os dois adolescentes cumpriam a pena, por exemplo, uma gangue de pichadores atua. ''Eles escondem as latas de spray debaixo dos carros. No horário de saída, aproveitam quando não tem seguranças observando, sacam as latas e pintam tudo'', denuncia a dona de casa C, 66 anos, que pediu para não ser identificada. Um problema enfrentado pelo programa é que muitos pais de menores pichadores não compreendem a natureza da pena aplicada, conta o guarda municipal Maurício Venceslau de Almeida. Para evitar constrangimentos, porém, a Guarda Municipal recolhe o menor para o trabalho comunitário em um local previamente combinado, um pouco distante de casa. Outra tática é escolher uma escola a ser recuperada em um bairro diferente daquele em que o adolescente mora. (Jornal do Brasil) |
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