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Pela primeira vez desde que o provão (Exame Nacional de Cursos) foi criado, em 1996, o Ministério da Educação usou suas notas para suspender o reconhecimento de 12 cursos "reprovados". Dos 3.701 cursos avaliados, oito de letras e quatro de matemática foram suspensos porque tiraram D e E por três anos consecutivos e obtiveram conceito insuficiente na avaliação do corpo docente. Esses cursos não
poderão aceitar novos alunos, e apenas os diplomas dos formandos
deste semestre serão reconhecidos. Os outros alunos podem pedir
transferência ou aguardar até que a faculdade regularize
sua situação. Neste ano, 13 das 20 áreas avaliadas tiveram médias abaixo de 40. As notas variam de zero a cem. No ano passado, Paulo Renato considerou que uma prova boa deveria ter uma média em torno de 50 para destacar os cursos bons e ruins. Este ano, o ministro não comentou as médias das áreas. No geral, pedagogia, área com o maior número de cursos avaliados, teve a maior média: 57,8. A mais baixa foi da matemática: 17,6. Em direito, a média foi 40,7, sendo que a maior parte dos cursos -38,8%- tirou conceito C. Leia
mais: Leia também: Ministério
não dá garantia para alunos prejudicados
Pela primeira vez desde que o provão (Exame Nacional de Cursos) foi criado, em 1996, o Ministério da Educação usou suas notas para suspender o reconhecimento de 12 cursos "reprovados". Dos 3.701 cursos avaliados, oito de letras e quatro de matemática foram suspensos porque tiraram D e E por três anos consecutivos e obtiveram conceito insuficiente na avaliação do corpo docente. Esses cursos não
poderão aceitar novos alunos, e apenas os diplomas dos formandos
deste semestre serão reconhecidos. Os outros alunos podem pedir
transferência ou aguardar até que a faculdade regularize
sua situação. Neste ano, 13 das 20 áreas avaliadas tiveram médias abaixo de 40. As notas variam de zero a cem. No ano passado, Paulo Renato considerou que uma prova boa deveria ter uma média em torno de 50 para destacar os cursos bons e ruins. Este ano, o ministro não comentou as médias das áreas. Neste provão, 271.421 alunos de 3.701 cursos fizeram o exame exigido para a obtenção do diploma. Além da média do curso, cada aluno recebe sua nota individual. No geral, pedagogia, área com o maior número de cursos avaliados, teve a maior média: 57,8. A mais baixa foi da matemática: 17,6. Em direito, a média foi 40,7, sendo que a maior parte dos cursos -38,8%- tirou conceito C. As universidades federais,
como no ano passado, tiveram notas mais altas. Em 15 áreas (731
cursos avaliados), a soma de A e B ficou acima de 50%. Os cursos de administração de empresas e direito são os únicos que não possuem maioria dos professores com pós-graduação. A legislação exige que 30% dos docentes tenham essa titulação. Na região Norte, nenhum curso obteve conceito A ou B. Em dez das 12 áreas avaliadas, pelo menos metade dos cursos teve conceitos D ou E. O ministro Paulo Renato destacou o desempenho das regiões Sul e Centro-Oeste. No Centro-Oeste, a maioria dos cursos de engenharia mecânica, farmácia, medicina e odontologia tiveram A e B. No Sul, a maioria dos cursos de jornalismo, medicina e odontologia também obtiveram os conceitos positivos. Segundo o ministério, nenhuma área registrou concentração de notas altas no Sudeste, região com uma distribuição mais homogênea de conceitos. No Nordeste, apenas engenharia elétrica teve soma de conceitos A e B significativamente alta: 55,6%. De acordo com o MEC, 40 cursos nas áreas de administração, direito, engenharia civil, engenharia química, medicina veterinária e odontologia tiveram conceito A em cinco provões. Desses, 17 cursos são de universidades federais, 14 são de instituições estaduais e nove são oferecidos por instituições privadas. Apenas cinco cursos
tiraram E por cinco anos seguidos. Todos pertencem a escolas pagas. Um
curso é de administração e os outros quatro são
de direito. Até 2000, o número de cursos em cada conceito era fixo. A nota A era atribuída aos 12% dos cursos com as médias mais altas. O conceito B era dado aos próximos 18%, 40% ficavam com nota C, 18% com D e os 12% restantes com E. Neste ano, a média geral da área foi usada como índice e, a partir dela, foi aplicado um desvio padrão para encaixar o curso em cada conceito. (Folha de S. Paulo)
Os alunos dos cursos que tiveram o reconhecimento suspenso pelo MEC deverão tentar obter uma transferência ou "apostar" na melhoria e regularização do curso, segundo o ministério. Os diplomas dos alunos desses cursos não serão reconhecidos, com exceção dos formandos deste semestre. As instituições de ensino também não poderão realizar vestibulares para esses cursos. O MEC não ofereceu garantias para os alunos prejudicados. "A responsabilidade é do aluno, da sociedade e da instituição", afirmou o ministro Paulo Renato Souza. Sobre o fato de o curso ter reconhecimento oficial no momento da matrícula, ele disse que cabe ao aluno se informar sobre sua qualidade. A Associação Nacional de Faculdades e Institutos Superiores teme que os alunos possam processar as instituições com cursos suspensos. Com exceção da Universidade Federal do Acre, as outras instituições são privadas. A situação de regularização demora no máximo oito meses, de acordo com Maria Helena Guimarães, presidente do Inep. "O objetivo não é fechar os cursos, é fazer com que melhorem", disse. Uma comissão do ministério visita a instituição e faz um relatório, que, com um parecer do MEC, é encaminhado para o Conselho Nacional de Educação e para o ministro. Ele terá a "palavra final" sobre o reconhecimento. Levantamento socioeconômico feito com os alunos que prestaram o provão deste ano aponta que, em cursos voltados para a formação de professores, a maioria dos alunos vem de famílias com renda baixa. Já em cursos como medicina, os estudantes têm renda familiar mais alta. Entre os alunos de medicina, 35% têm renda familiar entre R$ 3.601 e R$ 9.000. Entre os de matemática, 54% têm renda familiar de R$ 541 a R$ 1.800, faixa em que também se encaixam os alunos de física, letras, pedagogia e química. Quanto à escolaridade dos pais, o perfil é semelhante. Os pais de 63% dos estudantes de medicina concluíram a pós-graduação. Nos casos de pedagogia, letras e matemática, a maioria tem o ensino fundamental incompleto. Dos 271.421 avaliados, apenas um tirou a nota máxima (cem): Markus Samuel Rebmann, 23, aluno de engenharia civil da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Ele ganhou viagem a Brasília, com direito a aperto de mão de Paulo Renato, e uma bolsa de estudos da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ministério da Educação). Nascido na Alemanha, Rebmann veio para o Brasil quando tinha seis anos. "Tenho uma vida normal, vou ao cinema e namoro", disse ele. (Folha de S. Paulo)
Universidades e faculdades que tiveram cursos de letras ou matemática suspensos podem processar a União. A avaliação é da Associação Nacional de Faculdades e Institutos Superiores (Anapi). A entidade diz que o ato do ministro Paulo Renato Souza (Educação) é ilegal por três motivos. Primeiro, o próprio ministério reconheceu os cursos anteriormente, com base em outros critérios que não o provão. Segundo, são levadas em consideração as notas do provão, que são anteriores à definição dos critérios de cancelamento automático do reconhecimento. A Anapi também diz que a nota do aluno pode expressar seu descompromisso com a prova, não má qualidade do curso. "Ajudaremos as instituições que decidirem processar o governo", disse Naira Amaral, presidente da entidade. A Anup (Associação Nacional das Universidades Particulares) pode entrar com uma ação contra o ministério, se avaliar que houve um erro metodológico que prejudicou a avaliação de alguns cursos. Segundo a Anup, o uso de uma média geral da área, com base nas notas médias dos alunos de cada curso, pode ter distorcido o desvio padrão usado para distribuir os conceitos. O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) informou que só se pronunciará quando receber oficialmente a reclamação. A Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (SP), com dois cursos na lista do MEC (ciências com habilitação em matemática e licenciatura em matemática), vai manter seu vestibular no próximo sábado. A diretora da faculdade, Vera Ferro de Carvalho, considera "um absurdo o curso de licenciatura ser incluído na lista". Segundo a diretora, o de ciências está em "extinção", já que só há uma turma, que se forma ainda neste ano. "O de licenciatura em matemática, aberto em 2000, tem apenas turmas de primeiro e de segundo ano e, portanto, não poderia ser avaliado", afirma. O Inep informou que o ministério avalia conjuntamente habilitações diferentes da mesma área. A Faculdade de Ciências Humanas de Olinda (PE) decidiu suspender o vestibular para letras. Na Faculdade de Formação
de Professores de Penedo (AL), o resultado causou surpresa. "A faculdade
está fazendo sua parte. Se nossos alunos não têm condição
de acompanhar, isso deve ser reavaliado com o MEC", disse Antônio
Manuel Marinho, diretor da mantenedora da instituição. O
Centro de Estudos Superiores de Maceió (AL) deverá recorrer
da suspensão de seu curso de letras. O reitor do Centro Universitário Filadélfia (Londrina), Eleazar Ferreira, afirmou que o curso de matemática foi desativado em 98. Só falta uma turma de 20 alunos para se formar. A diretora da Faculdade de Formação de Professores de Vitória de Santo Antão (PE), Maria de Souza, disse que não decidiu se vai recorrer. A reportagem não conseguiu falar com a diretoria da Faculdade de Dracena e a reitoria da federal do Acre. (Folha de S. Paulo)
Estudantes das Faculdades Integradas de Ribeirão Pires consideraram errada a decisão do MEC de suspender o reconhecimento dos cursos de ciências com habilitação em matemática e licenciatura em matemática. Para eles, ciências com habilitação em matemática não poderia ser avaliado pela prova do curso de licenciatura. "O curso é muito mais generalista. Nós tivemos aulas de geologia, química e física. Por isso, a carga horária de matemática foi menor", disse Gisele Maria da Silva, 26, que se formará este ano em ciências. Ela disse não achar que o desempenho no provão prejudicará a aceitação de seu diploma no mercado de trabalho. "O importante é a capacidade do estudante e não a faculdade que ele faz." A turma da estudante
é a última do curso de ciências, que será extinto
em 2002. Para substituí-lo, foi criado o curso de licenciatura
em matemática há dois anos. Mesmo considerando o método de avaliação errado, os estudantes concordam que a faculdade tem deficiências. Segundo eles, os laboratórios existentes não são usados e os alunos não podem mexer nos computadores da faculdade. Outro problema apontado foi a falta de atividades além das aulas. "Em quatro anos de curso, não assisti nenhuma palestra aqui. A única atividade que aconteceu foi uma ida ao programa do Jô Soares", disse Gisele Maria. Os alunos, quase todos moradores de Ribeirão Pires e Mauá (ambas no ABC paulista), reclamaram, também, das mensalidades. "Quando entramos, eles disseram que as mensalidades iriam diminuir nos anos seguintes, mas pagamos R$ 320 no primeiro ano e R$ 330 no segundo", disse um aluno que não quis se identificar. Para eles, a qualidade
do curso melhorou um pouco após a visita do MEC. "Eles tinham
que vir de surpresa", disse outro aluno que também não
quis se identificar. (Folha de S. Paulo) |
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