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Quanto vale uma boa idéia? A criatividade é um atributo difícil de ser mensurado, mas rende crescimento e visibilidade no mercado a quem a desenvolve, além de lucro às empresas. "É um diferencial importante para reduzir custos, redesenhar processos ou gerar novos negócios", diz Fernanda Medeiros de Campos, 37, diretora de recrutamento da Mariaca & Associates. Em algumas companhias, um corriqueiro "estalo" pode proporcionar um salário extra, uma viagem ou mesmo uma promoção. A ABB (engenharia) premia sugestões dos funcionários com valores de R$ 20 a R$ 150, e, se o benefício for grande, a recompensa é decidida pela própria diretoria. A iniciativa dá resultado. No ano passado, as 742 idéias que foram apresentadas se traduziram em R$ 1,1 milhão de economia nas fábricas de seus clientes e em R$ 140 mil para a companhia. Em tempos competitivos, ter criatividade torna-se trunfo para obter um diferencial no mercado. Significa ser uma combinação de curioso, bem informado, orientado para resultados, com boa visão de mercado e persistente, para saber como vender e implementar a sua idéia na empresa. "Esses funcionários têm como crescer. É a chance de ver quem se destaca e sabe exercer liderança em conjunto", analisa Santos. Na opinião de Campos, "a criatividade precisa ser exercida especialmente por quem aspira a um papel de liderança na empresa". Leia
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Quanto vale uma boa idéia? A criatividade é um atributo difícil de ser mensurado, mas rende crescimento e visibilidade no mercado a quem a desenvolve, além de lucro às empresas. "É um diferencial importante para reduzir custos, redesenhar processos ou gerar novos negócios", diz Fernanda Medeiros de Campos, 37, diretora de recrutamento da Mariaca & Associates. Em algumas companhias, um corriqueiro "estalo" pode proporcionar um salário extra, uma viagem ou mesmo uma promoção. A ABB (engenharia) premia sugestões dos funcionários com valores de R$ 20 a R$ 150, e, se o benefício for grande, a recompensa é decidida pela própria diretoria. A iniciativa dá resultado. No ano passado, as 742 idéias que foram apresentadas se traduziram em R$ 1,1 milhão de economia nas fábricas de seus clientes e em R$ 140 mil para a companhia. "O objetivo é sedimentar a cultura do aprimoramento contínuo, a motivação e o comprometimento com a empresa", diz Rodrigo Santos, 34, coordenador regional de qualidade da ABB. Já na Volkswagen, quem sugere melhorias para seu posto de trabalho ou para a produção da companhia pode receber bônus de R$ 30 a R$ 150 mil. Desde que o programa foi implementado, no final do ano passado, a empresa contabiliza 1.100 idéias. "Não temos bíblias de administração", resume Domingos Valotta Filho, "controller" da Sensormatic do Brasil (segurança). "O mais importante é a disposição do funcionário em se expor e se comprometer com a empresa", diz. Um ano depois de ter sido colocada em prática, a idéia que obteve os resultados esperados é premiada com um salário adicional. Em 2001, essas sugestões ajudaram a companhia a economizar, por exemplo, R$ 28,5 mil em despesas de cartório e 20% no consumo de água. "O custo de implementação foi quase zero", afirma. Do ponto de vista financeiro, as recompensas aos funcionários pelas boas idéias geralmente ficam muito aquém dos lucros que geram. O maior resultado vem mesmo quando os criativos passam a ser vistos com outros olhos. Em tempos competitivos, ter criatividade torna-se trunfo para obter um diferencial no mercado. Significa ser uma combinação de curioso, bem informado, orientado para resultados, com boa visão de mercado e persistente, para saber como vender e implementar a sua idéia na empresa. "Esses funcionários têm como crescer. É a chance de ver quem se destaca e sabe exercer liderança em conjunto", analisa Santos. Na opinião de Campos, "a criatividade precisa ser exercida especialmente por quem aspira a um papel de liderança na empresa". Apesar de a maioria das empresas não adotar programas oficiais de incentivo a boas idéias, na opinião de Érica Consolini, 23, consultora de serviços especiais da Adecco Top Services, todas estão abertas a quem traz soluções e é receptivo a novas oportunidades. Nesses casos, as chances
de que uma sugestão inteligente beneficie a carreira dependem de
um bom relacionamento com os superiores e de conseguir convencê-los
a se envolver com o projeto. Para Thomas Case, do Grupo Catho, é mais difícil convencer os superiores a arriscar nos casos que envolvem mudanças nas estratégias das empresas. "São custosos. Os de implementação barata são aceitos mais facilmente." (Folha de S. Paulo)
Estar bem atento ao seu posto de trabalho e com um olho nas estratégias da empresa é a dica que os profissionais dão para utilizar as boas soluções a seu favor. "Nem sempre é só a formação que conta para o sucesso na carreira. O segredo pode estar justamente na capacidade criativa", aposta Carlos Döppenschmitt, 24, gerente-corporativo do Grupo Towsend, consultoria em RH. Nelson Oliveira Simas, 35, trabalha há nove anos na área de transmissão da Volkswagen. Sugeriu que a limpeza de peças fosse feita numa caixa, eliminando sujeira e barulho, e ganhou R$ 180. Em outros casos, resolver problemas de maneira inovadora pode render até uma contratação. O engenheiro Francisco Wolff, 32, foi entrevistado em uma empresa que passava por um momento difícil ao perder a liderança em sua área de atuação. Os selecionadores
pediram que ele fizesse um projeto do que faria se estivesse na empresa.
Wolff apresentou a idéia, que hoje é implementada por ele.
"A criatividade precisa ser aliada a resultados." "Sou bem-visto pela equipe, e todos reconhecem meu trabalho", diz Irineu Bustamanti, 40, mecânico de manutenção sênior da ABB. Considerado o funcionário mais criativo da empresa em 2001, recebeu cerca de R$ 1.000 por 12 idéias implantadas. Já Cátia
de Freitas, 23, trabalhava com assistência técnica na Sensormatic
quando listou as dificuldades expressadas pelos técnicos terceirizados
da empresa e criou um manual de procedimentos. (Folha de S. Paulo)
Sugerir inovações nem sempre se traduz em crescimento na carreira. A valorização do profissional criativo depende do modelo de gestão e da cultura da empresa. "As conservadoras buscam mais resultados do que criatividade", diz Valma Prioli, 38, consultora da Watson Wyatt do Brasil. "São idéias autogerenciáveis, não demandam muito investimento." Nesse perfil, apontam
especialistas, estão empresas do mercado financeiro e de infra- Outras, mais ousadas,
esperam que os funcionários criem novas formas de lidar com os
processos de produção e incentivam inovações
que possam trazer lucros. "As companhias preferem profissionais arrojados quando estão iniciando as atividades", diz Fernanda Medeiros de Campos, 37, diretora de recrutamento da Mariaca & Associates. "Já as tradicionais ficam com os pragmáticos." Carlos Döppenschmitt, 24, gerente corporativo do Grupo Towsend aponta outra diferença. "As empresas européias preferem profissionais que tragam redução de custos. Já as americanas são orientadas para resultados." Antes de sugerir mudanças, é preciso estar bem informado sobre as condições da empresa e suas estratégias, para saber se é mais importante criar ou otimizar os processos já existentes. "Se estão num ano de crescimento, valorizam a criação. Se passam por um momento recessivo, economizar é um trunfo", avalia Érica Consolini, da Adecco. E o medo de errar deve ser superado. "O profissional precisa correr riscos calculados", afirma Fernanda Medeiros de Campos, diretora da Mariaca & Associates. "Se não se mostrar, o profissional perde oportunidades. A quantidade de riscos que se aceita influi até na remuneração", afirma Thomas Case, do Grupo Catho. (Folha de S. Paulo)
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