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Levantamento inédito realizado pela Prefeitura de São Paulo revela que mais da metade da população da cidade (55,4% ) vive em situação comparável a países africanos. Por outro lado, 3,5% dos paulistanos têm um padrão de vida que se assemelha ao da Europa. Os resultados foram obtidos a partir do chamado Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de vários distritos da cidade. O levantamento teve como base dados do Censo 2000 e analisou três variáveis principais: renda média, alfabetização e anos de estudos dos chefes de domicílio. Para facilitar a compreensão dos dados, foram criadas quatro classificações, baseando-se nas médias usadas pela ONU. Assim, há distritos considerados "europeus" (com IDH acima de 0,8); "asiáticos" (entre 0,651 e 0,799); "indianos" (entre 0,501 e 0,650) e "africanos" (abaixo de 0,5). A maioria dos paulistanos, no entanto, vive em regiões que mereceram a classificação "africana" (mais pobre). São 38 distritos localizados na periferia da cidade de São Paulo que abrigam 55% da população local. As diferenças entre as diversas regiões são gritantes. Como o caso de Parelheiros. Se a distribuição de renda não for alterada, a população local levará 946 anos para que sua renda média alcance os valores obtidos hoje pelos moradores de Morumbi, por exemplo. Se afastando do centro da cidade, aparece o cinturão de distritos que receberam a classificação "indiana". São 38 localidades, onde vivem 31% da população. Entre eles se destacam: Campo Grande, Socorro, Tucuruvi, Ipiranga, Mandaqui, Brás, Bom Retiro, Rio Pequeno, Vila Guilherme, Arthur Alvim. Leia
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"Seu governo será mais antiamericano do que o de Fernando Henrique Cardoso?" O clima entre jornalistas da Folha e Ciro Gomes já não estava dos melhores, e ele encarou a pergunta como dúbia, "com cascas de banana." Ciro explicou os motivos de seu descontentamento. Esse tipo de questão tentaria extrair respostas comprometedoras: se o candidato disser que sim, vai soar como provocação aos EUA; se disser que não, soaria como "abastardamento", "prostração". Depois da bonomia de Lula, na tarde anterior, custou-se a perceber que ali a conversa era outra. O encontro foi desandando. Ciro reclamou de episódios em que teria havido "manipulação" da imprensa e criticou o governismo dos meios de comunicação. Foi quando vi Clóvis Rossi quase perder as estribeiras. Na segunda-feira, o esforço de Lula foi mostrar que sua candidatura não assusta ninguém. Terminou dizendo banalidades. Não era essa a preocupação de Ciro. O fantasma que pesa sobre sua postulação é o de que seja um novo Collor, que tenha um temperamento estourado etc. Ele quis desmentir essa idéia. Explica, aliás, o bom estado de suas relações com Antonio Carlos Magalhães pelo fato de prezar o entendimento, a conciliação. Ironicamente, foi ao falar no assunto que o diálogo com jornalistas começou a ficar conflitivo. Se não é estourado, Ciro assusta bastante. Ele tem a articulação verbal, o ar de superioridade, a linguagem das elites; o domínio da retórica parlamentar e o economês fluente. Ao mesmo tempo, um discurso marcadamente oposicionista. Está o tempo todo no ataque, usando terminologia avançada: "locus institucional", "atipia". Será um novo Collor? Seu discurso é mais técnico, não fala em "descamisados" nem em "caça aos marajás". Ciro respondeu com brilho a tudo e mais um pouco na sabatina de ontem. Mas será um novo Collor? Saí do Teatro Folha com essa pergunta menos respondida do que antes. (Folha de S. Paulo)
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