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Cursos cada vez mais segmentados: é isso que aguarda os vestibulandos nos próximos exames. USP (Universidade de São Paulo), Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e Unesp (Universidade Estadual Paulista), as três maiores universidades públicas do Estado, apostam nessa vertente -e na alta procura pelas vagas recém-abertas. A Unesp lidera a corrida pelos novos cursos. Seu vestibular de inverno, que acontece em julho e já está com as inscrições encerradas, terá 21 novas modalidades, o equivalente a 855 vagas, ministradas em 16 campi. Sete dessas unidades foram recentemente inauguradas pela universidade e estão localizadas em regiões que até então não dispunham de ensino superior gratuito: Registro, Itapeva, Sorocaba/Iperó, Ourinhos, Tupã, Dracena e Rosana. Entre as novidades, aparecem engenharia de produção, física médica, física biológica e biotecnologia. A demanda por profissionais que possam atuar em frentes relacionadas ao ambiente criou cursos como engenharia industrial madeireira, química ambiental e engenharia ambiental. A importância econômica da agricultura, por sua vez, deu origem a administração de empresas com ênfase em agronegócios e outro muito semelhante, administração e agronegócios. "Existe hoje uma demanda por cursos segmentados, porque o aluno precisa dominar técnicas mais refinadas em pouco tempo. Senão, para criar um profissional com gabarito à disposição do mercado, seriam necessários 15 anos até a pós-graduação", diz Pedro de Oliva Neto, 39, professor de microbiologia da Unesp/campus de Assis e coordenador do recém-lançado curso de biotecnologia -o primeiro do país. Leia
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Cursos cada vez mais segmentados: é isso que aguarda os vestibulandos nos próximos exames. USP (Universidade de São Paulo), Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e Unesp (Universidade Estadual Paulista), as três maiores universidades públicas do Estado, apostam nessa vertente -e na alta procura pelas vagas recém-abertas. A Unesp lidera a corrida pelos novos cursos. Seu vestibular de inverno, que acontece em julho e já está com as inscrições encerradas, terá 21 novas modalidades, o equivalente a 855 vagas, ministradas em 16 campi. Sete dessas unidades foram recentemente inauguradas pela universidade e estão localizadas em regiões que até então não dispunham de ensino superior gratuito: Registro, Itapeva, Sorocaba/Iperó, Ourinhos, Tupã, Dracena e Rosana. Entre as novidades, aparecem engenharia de produção, física médica, física biológica e biotecnologia. A demanda por profissionais que possam atuar em frentes relacionadas ao ambiente criou cursos como engenharia industrial madeireira, química ambiental e engenharia ambiental. A importância econômica da agricultura, por sua vez, deu origem a administração de empresas com ênfase em agronegócios e outro muito semelhante, administração e agronegócios. "Existe hoje uma demanda por cursos segmentados, porque o aluno precisa dominar técnicas mais refinadas em pouco tempo. Senão, para criar um profissional com gabarito à disposição do mercado, seriam necessários 15 anos até a pós-graduação", diz Pedro de Oliva Neto, 39, professor de microbiologia da Unesp/campus de Assis e coordenador do recém-lançado curso de biotecnologia -o primeiro do país. Ele explica que, antes, era preciso que um aluno cursasse engenharia de alimentos, agronomia, engenharia química, biologia ou farmácia e depois fizesse uma pós na área de biotecnologia para que pudesse atuar na área. "Mas há muita carência no mercado. Nosso curso pretende formar biotecnólogos para trabalhar em pesquisa, na área de alimentos e na agroindústria, produzindo vacinas, antibióticos e fármacos. E o profissional ainda poderá dar aula em universidades. É um campo muito abrangente", afirma. Na área da agronomia, a necessidade da região determinou a criação dos cursos que misturam administração com agronegócios. "O profissional exigido não é o mesmo que faz um curso de administração de empresas tradicional. Por outro lado, quem faz agronomia sente falta do conteúdo passado por uma escola de administração. Além disso, estamos situados num dos principais pólos agropecuários do país, o que resulta em muita procura", diz Manoel de Almeida Monteiro, 58, professor de economia rural da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp/Jaboticabal. Coordenador do curso de administração de empresas com ênfase em agronegócios, ele explica que o mercado enfrenta excesso de engenheiros agrônomos, mas carência de gente especializada em agronegócios: "Para esses, o mercado é enorme, há muitas possibilidades em postos de supervisão e administração". Monteiro frisa ainda que o novo curso será flexível, podendo ser concluído em quatro ou cinco anos. E, dependendo da grade curricular cursada, o aluno poderá obter duas habilitações -administração e agronegócios. 2 "A agricultura é o setor que mais emprega no Brasil. Por isso, é natural a demanda por bons profissionais e, consequentemente, a oferta de cursos superiores na rede pública", diz o professor. "O mercado exige profissionais cada vez mais especializados. Mas as universidades precisam oferecer, para todos que quiserem, uma formação ampla." Novidades Em seu próximo vestibular, no final do ano, a Unicamp colocará à disposição três novos cursos, com 120 vagas: midialogia, farmácia e tecnologia em telecomunicações. "A segmentação do campo profissional no mundo contemporâneo é capaz de gerar cursos infinitos. Há muito espaço para coisas novas", observa Edgar de Decca, 56, coordenador-adjunto da Comissão do Vestibular da Unicamp. O curso de midialogia, o primeiro do Brasil, habilitará o aluno a trabalhar em qualquer área relacionada a imagem -cinema, vídeo, TV, fotografia. "Esse profissional poderá atuar na imprensa, na mídia eletrônica, na propaganda", diz Decca. Para atender um segmento de mercado cada vez mais exigente, o de microcomputadores, foi criado o curso de tecnologia em telecomunicações, destinado a habilitar profissionais para atuar em gerenciamento, planejamento e implantação de sistemas. Já o de farmácia dará ênfase ao estudo de medicamentos e será ministrado em conjunto por quatro unidades -a Faculdade de Medicina, o Instituto de Biologia, o Instituto de Química e o Centro de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas. "É o primeiro curso de farmácia com esse perfil no Brasil, e no Estado de São Paulo há uma carência de vagas públicas nessa área. Pensamos também na questão geográfica, pois o pólo farmacêutico é muito importante para a região de Campinas", explica o coordenador. Neste ano, o vestibular da Unicamp vai oferecer 2.980 isenções totais na inscrição para alunos de baixa renda, e outras 2.980 meias isenções. A USP abre, também no fim do ano, três cursos novos -engenharia de alimentos em Pirassununga, matemática aplicada a negócios em Ribeirão Preto e geociências e educação ambiental na capital. Além disso, aumentou o número de vagas em oito cursos (entre eles, economia agroindustrial, meteorologia e geofísica), num total de 81 a mais. O curso de matemática aplicada a negócios segue a tendência de segmentação e também mescla disciplinas distintas. "Teremos a colaboração da FEA (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade) de Ribeirão Preto e formaremos um bacharel em matemática aplicada. Em três semestres, o aluno terá aulas de economia, administração e contabilidade e também fará um estágio nessa área", diz Pedro Nowosad, 68, professor titular de matemática da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP/ Ribeirão Preto e um dos coordenadores da nova modalidade. Segundo Nowosad, o aluno terá formação para atuar em três linhas principais: mercados financeiros, planejamento regional/política fiscal e comércio internacional, além de poder fazer consultoria ou auditoria nesses setores. Outra novidade uspiana, geociências e educação ambiental está relacionada ao "boom" em torno das questões ambientais. "Todo mundo está preocupado com isso. Nós esperamos uma alta procura no vestibular, pela temática e por ser um curso noturno, que deve atrair gente que trabalha durante o dia", afirma o coordenador Rômulo Machado, 52, professor do Instituto de Geociências da USP. Segundo ele, o curso formará um profissional que não existe no Brasil, capaz de lecionar no ensino formal (fundamental e médio), no superior e nos técnicos. Fora da sala de aula, as opções são atuar na organização de museus, em centros de ciências, parques e associações, ONGs e empresas que precisam desse tipo de pessoal. Com a nova remessa de oferta, os candidatos agradecem. Luciana Andrade Cunha, 18, que vai tentar uma vaga em administração com ênfase em agronegócios no vestibular de julho da Unesp, está empolgada. "Acho que será como fazer dois cursos em um. Quero trabalhar com administração, mas penso em morar no interior no futuro e, aí, a base que terei de agronegócios poderá me abrir outras portas", acredita a estudante. Serviço
(Revista da Folha
- 15/06/2003)
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