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A dimensão do crescimento da sociedade da vigilância pode ser traduzida em números. No Brasil, em dois anos, a venda de sistemas de monitoramento, como preferem chamar os comerciantes desse setor, aumentou 80%. Um dos exemplos mais incríveis dessa prática é o que ocorre em uma boate e choperia, com sede em três capitais. Usa as câmeras não apenas como segurança, mas para testar novos pratos, observando a expressão dos clientes enquanto comem. Pode servir de reflexão para as afirmações de George Orwell (1903-1950) em 1949 no seu livro clássico, "1984", em que a sociedade vive sob controle obsessivo de câmeras. Desde o começo do ano, é obrigatório, em São Paulo, o uso de aviso alertando para a presença de câmeras. A desobediência pode acarretar multa de R$ 100, acumulativa pelo não-cumprimento. E quem não dispõe dos cerca de R$ 1.000 exigidos na aquisição de um pequeno projeto de vigilância apela para as falsas câmeras, com falsos fios, bastante comuns para inibir crimes. Se funcionam? Uma dentista, que não quis se identificar, responde: "Em três anos, com o falso sistema, nunca fui assaltada". No exterior, há cidades inteiras monitoradas. Cingapura é um exemplo: a cada 100 m há uma câmera para fiscalizar, por exemplo, se os cidadãos jogam lixo na rua. Mas a campeã mundial de concentração de aparelhos é a Inglaterra -são mais de 1 milhão deles. A prática da vigilância causa incômodo faz tempo. Em 1985, foi fundada, em Nova York, a ONG Surveillance Camera Players, com o intuito único de combater o uso de câmeras de segurança em locais públicos. Os protestos se baseiam na tese de que a vigilância viola o direito de privacidade do cidadão. Leia
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