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Todos sabem que os políticos são pragmáticos, idéias e programas muitas vezes são usados para conveniências momentâneas, partidos pouco valem, inimigos de ontem são os aliados de amanhã. Mas, neste ano, esse pragmatismo cínico está conseguindo se superar, indo além até para nossos padrões. Pesquisa Datafolha mediu a credibilidade das instituições. Partidos políticos apareceram em último lugar, com nenhuma pontuação. Ou seja, zero. Acima deles, o Congresso Nacional, com 1%. Ilusões, jogos de cena, mentiras, tramóias e falta de princípios não são novidade na imagem dos políticos. O que está acontecendo agora é uma mudança de grau -e para pior, oscilando entre a tragédia e a comédia. Ciro Gomes disse as piores coisas sobre o PFL, apontado como um foco de atraso e de promiscuidade. Chegou a afirmar que o principal líder do PFL -Antonio Carlos Magalhães- era mais sujo do que pau de galinheiro. Bastou surgir a chance concreta de uma aliança com o PFL para que Ciro Gomes se interessasse pela parceria com ACM. E, ainda mais estranho, com o aval de Leonel Brizola, para quem o ex-senador baiano era -como vivia repetindo- o que existia de pior na política brasileira, conivente com bandalheiras. Passamos todos esses anos ouvindo Brizola falar nos malefícios do neoliberalismo. Sua fúria vai a tal ponto que não aceita que Antônio Brito saia candidato com o apoio da coligação PDT-PTB-PPS porque, afinal, ele fez parte de um governo "neoliberal". Mas não se sente constrangido em batalhar pelo poder ao lado do PFL, a radicalidade do tal neoliberalismo. Anthony Garotinho tem um discurso de oposição com visão semelhante à de Brizola. Também tentou seduzir o PFL e, ao mesmo tempo, lançou olhares enamorados a Paulo Maluf. O PT rasteja para atrair personagens que, até pouco tempo atrás, demonizava, como Luiz Antônio Medeiros. Adernou para o PL, outro segmento que se encaixaria no rótulo de neoliberal, e bajulou a Igreja Universal. Daí Lula não se sentir incomodado em usar o genial Duda Mendonça, que ajudou a eleger Paulo Maluf prefeito de São Paulo, o qual, por sua vez, ajudou a eleger Pitta. E ambos comprometeram as finanças públicas a tal ponto que deixaram a cidade (e sua atual prefeita, do PT) à beira da ingovernabilidade. Duda também colaborou para a derrota de Cristovam Buarque, que foi o responsável pela disseminação nacional da bolsa-escola, na disputa pelo governo do Distrito Federal. E um dos primeiros atos do vencedor foi a eliminação da bolsa-escola. Depois eles reclamam que ninguém, principalmente os jovens, acredita no que falam os políticos. Leia
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