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"Mais importante que os produtos que as consultoras da Natura vendem, para gerar recursos para o projeto, é a mensagem que levam: todos nós podemos ser agentes de transformação da educação", afirmou Guilherme Peirão Leal, presidente executivo da Natura Cosméticos, no discurso de abertura do quinto Seminário Crer para Ver. Segundo ele, é fundamental que a sociedade e as empresas se articulem e dialoguem com o poder público para melhorar a educação no país. Leal reforçou ainda os compromissos com a transparência e com o registro dos erros e acertos do projeto, motivos pelos quais está sendo realizado o seminário. Para ele, esses são
os fatores responsáveis pelo bons números atingidos pelo
Crer para Ver: 142 projetos assistidos, 770 mil crianças atendidas
em 3500 escolas e R$ 9 milhões em recursos captados.
Os resultados dos trabalhos mostram que os projetos educacionais desenvolvidos com a ajuda do programa Crer para Ver se tornaram modelos e podem ser adaptados em outras regiões do Brasil. É o que garantiu Sérgio Mindlin, do Conselho de Administração da Fundação Abrinq, durante a cerimônia de abertura do Seminário. De acordo com ele, só a multiplicação dessas práticas inovadoras pode amenizar o grave quadro em que se encontra a educação brasileira. Nesse caminho, empresários e sociedade civil organizada devem colaborar para a transformação dos projetos em políticas públicas por parte dos órgãos do Estado. "Todos devem contribuir para o processo educacional", afirmou. Mindlin encerrou seu
discurso lembrando dos obstáculos que cada professor enfrentou
para desenvolver seu projeto e a dedicação de seu trabalho.
"Não devemos nos esquecer que o educador é a alma do
Crer para Ver."
A dificuldade de fazer os alunos lerem os livros escolares foi o assunto mais discutido durante o debate entre a platéia e as convidadas da mesa Memória, História e Educação. Ao ser questionada sobre o tema, a escritora e contadora de histórias Tatiana Belinky, afirmou que o hábito da leitura não deve ser imposto às crianças. Segundo Tatiana, é preciso simplesmente deixar que as crianças leiam, e não mandar que estudem determinado livro. Para que isso dê certo, disse, é necessário que a literatura esteja carregada de emoção. "O livro tem que fazer as crianças rirem e chorarem. Monteiro Lobato captou isso com muito humor e senso crítico", explicou A educadora Monique
Deheinzelin concordou com a escritora e acrescentou: "O professor
deve despertar na criança a vontade de ler e desenvolver o prazer
pela leitura."
Karen Worcman, historiadora e diretora do Museu da Pessoa, foi questionada pelo público sobre como os estudantes podem usar a Internet para documentar a memória da comunidade - como ela havia sugerido em seu discurso - se ainda poucos colégios possuem computadores. A historiadora afirmou
que a Internet cresce cerca de 15% ao ano e que, no futuro, os computadores
estarão tão presentes na vida cotidiana quanto o televisor.
"Então é preciso dar um sentido agora para esses computadores.
Eles podem ser um museu da memória local e não apenas bate-papo
e e-business", explicou. |
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