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De 28 de novembro a 2 de dezembro, ocorreu em São Paulo o I Fórum de Juventude. O evento reuniu representantes da sociedade civil, ONGs e poder público municipal para discutir as demandas específicas deste segmento.
A escola, a mídia e a família precisam parar de enganar a juventude. A opinião é do professor da USP, o economista Paul Singer, que participou na quinta-feira, 29/11, do Fórum de Juventude de São Paulo. Segundo Singer, estas instituições costumam fazer o jovem pensar que o trabalho assalariado é quase um caminho natural para sua vida adulta. "É um engano. Nós estamos em uma crise estrutural da economia séria e o emprego torna-se, cada vez mais, escasso", afirma. Sobre as instituições escolares, ele critica a postura costumeira de ensinar aos estudantes como ser um operário. "Os jovens aprendem a obedecer, seguir currículos, a não se atrasarem. O mais importante, no entanto, é esquecido: a autonomia". Singer defende que as instituições de ensino devem começar a pensar na possibilidade de valorizarem os grupos de jovens, as áreas de interesse dos estudantes e a reflexão. "Assim, os jovens podem vislumbrar novas possibilidades de organização da sociedade e também da produção. A escola que valoriza o estudante e sua autonomia é a contrapartida da economia solidária", diz o professor. Em expansão no Brasil, a economia solidária é uma maneira de organização dos trabalhadores em cooperativas. Em vez de se submeter ao desemprego ou formas de trabalhos precários, trabalhadores associam-se e criam seu próprio negócio. "A grande diferença é que, na economia solidária, não existem patrões e nem produção de mais-valia", diz o economista. Todas as decisões são consensuais, tomadas em assembléias. "Este tipo de organização exige uma mudança de cultura e o fim da mentalidade subalterna", conclui Singer. (Raquel Souza)
Começou nesta quarta-feira, 28/11, o I Fórum de Juventude de São Paulo. O evento, organizado pela prefeitura, faz parte da programação da Semana Jovem da cidade, e reúne, no Centro de Convenções do Anhembi, movimentos comunitários, poder público e ONGs para discutir demandas de políticas específicas para esta parcela da população. O ciclo de palestras foi aberto com a mesa redonda "Políticas Públicas de Juventude", composta por Alexandre Youssef, da Coordenadoria Especial da Juventude, Maria Virgínia de Freitas, da ONG Ação Educativa, Leandro Petrin, assessor da Prefeitura de Santo André e Adriano de Jesus, do Núcleo de Juventude de Ermelino Matarazzo. Para Alexandre Youssef, as políticas para a população jovem dependem de uma construção que tem como marco a Semana de Juventude. "Não se pode compreender este segmento como algo único. Queremos descobrir quais juventudes a cidade possui e este evento marca uma série de debates com os indivíduos que compõem este universo", disse. Youssef conta que a Coordenadoria Especial realizará, em 2002, um levantamento dos diferentes grupos juvenis paulistanos. "Este documento auxiliará todos os agentes do poder público a pensar nas demandas específicas da população jovem", disse. Mais do que ser consultado por meio de pesquisas, o jovem Adriano de Jesus quer fazer política. "Os projetos governamentais atuais são feitos para o jovem, mas precisam ser formulados com eles", acredita. Segundo ele, os governantes às vezes não compreendem as demandas reais da juventude, pois não costumam consultá-los antes durante o planejamento das ações. Jesus defende que as políticas municipais devam ser construídas de maneira participativa e regionalizada. "As políticas públicas precisam saber o que rola com o jovem. A realidade de quem mora na Vila Madalena é diferente dos jovens de Ermelino Matarazzo ou do Jardim Ângela". Leandro Petrin afirma que é necessário preparar o jovem para participar do universo público. "Eles precisam saber como são aprovadas as leis e o que é um planejamento plurianual. Assim, poderão participar das decisões de sua cidade". Direito - Segundo Maria Vírginia de Freitas, se para a infância a palavra chave é proteção, para os jovens o termo mais adequado é participação. "É preciso avaliar qual a possibilidade de diálogo que essa juventude encontra no mundo adulto, para possíveis ações conjuntas". A pesquisadora defende que as políticas públicas destinadas à juventude sejam pautadas levando-se em conta os direitos desta população. "Não se pode destinar ao jovem ações pontuais, episódicas e isoladas que lidam com a juventude como se ela fosse um problema". Ela acredita que as iniciativas devem ser pensadas de maneira transversal. Ou seja, todas as pastas da administração pública - saúde, trabalho, educação, lazer, entre outros - devem contemplar as peculiaridades do universo juvenil. (Raquel Souza)
"Não sou só um cidadão do município. Também sou um cidadão do Estado e sou brasileiro". A afirmação foi feita por Adriano de Jesus, durante o I Fórum de Juventude da cidade de São Paulo. Participante do Núcleo de Juventude de Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo, ele cobrou melhor articulação entre o poderes municipais e estaduais na efetivação de políticas para o segmento jovem. Atualmente, a prefeitura conta com uma Coordenadoria Especial de Juventude, que está sob o comando do advogado Alexandre Youssef. Já o Estado, criou, há menos de dois meses, a Secretaria de Juventude, Esporte e Lazer - assumida pelo ex-vereador Gabriel Chalita. "Os jovens estão concentrados no Ensino Médio, nível de ensino que é responsabilidade do Estado, e é senso comum que gostamos da escola, mas fugimos da sala de aula porque temos pavor. Como é que a prefeitura pode interferir na educação da juventude?", indagou o jovem. Segundo Youssef, a possibilidade de uma parceria entre o órgão municipal que coordena e a Secretaria do Estado depende de uma conversa. "Sou amigo do Gabriel (Chalita), mas ele assumiu o cargo a pouco tempo e ainda não houve possibilidade de conversa", disse. O coordenador lembra, entretanto, que se deve evitar comparações entre as ações das dois órgãos. "A estrutura da Secretaria do Estado é gigantesca, já que ela herda os aparelhos da antiga pasta de Esporte e Turismo". Enquanto não ocorre a parceria, de acordo com Youssef, a coordenadoria está apoiando a abertura das escolas municipais nos finais de semana. "Vamos incentivar a juventude a apropriarem-se destes espaços", concluiu. (Raquel Souza) |
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