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“Os pais devem pedir aos filhos que os ensinem as novas tecnologias”. Esta é a receita dada pelo professor Mário Sérgio Cortella para diminuir o fosso existente entre pais e filhos. A nova estrutura familiar do século XXI, foi o tema da palestra dada por ele à cerca de 100 pessoas que participaram do Primeiro Encontro de Pais, na Escola Carlitos, zona oeste de São Paulo (SP). Antes, os mais velhos ensinavam aos mais novos. Agora, é o contrário. O video-cassete já está saindo de cena, tem 20 anos, e a maioria da geração hippie não sabe sequer arrumar o relógio que fica piscando no mostrador do vídeo. Mas aquele garoto de 10 anos sabe. Assim como sabe, muito mais que o pai dele, o uso das novas tecnologias. São mundos diferentes, com um ponto de atração e congruência: se os filhos sabem o acesso a esse enigmático e desconhecido mundo das tecnologias, porque não pedir para que ele ensine? Ganhar uma partida de video game do filho é missão impossível, mas o pai pede ajuda ou explicação a ele? Mas, quando o filho pergunta ao pai o que é aquilo – por exemplo, uma máquina de escrever – ele se sente o máximo porque está ensinando – e este prazer de ensinar é nato do homem, não tem idade. A saída para essa falta de sintonia, segundo Mário Cortella, é pedir ajuda aos filhos, é o caminho do não envelhecimento. “É trabalhoso não se acomodar, mas é manutenção. Aquilo que se entoou nas empresas “recicle-se, nunca deixe de se atualizar”, agora, é a palavra de salvação dentro da nova família”. Cortella levantou
vários temas para reflexão. O primeiro foi a troca de lugares:
esta é a primeira geração que os filhos saem de casa
mais cedo que os pais, todos os dias. O fato dos pais não mais
acordarem os filhos, muda toda a relação da família,
acredita. Além disso, quando este filho volta para casa, se instala
em seu quarto - a que Mário refere-se como “toca” –
e lá permanece até dormir. “Antes do microondas, a
família até fazia refeições junta, no mesmo
horário porque a comida era aquecida na panela. Depois da disseminação
do microondas, até se janta nas tocas”, constata Cortella. Sem a troca, há um fosso. Os pais querem assistir ao telejornal. As mães, as novelas e, com cada um se distraindo com o que lhe dá prazer, este filho - que já não os vê de manhã – e, na maioria das vezes, o dia todo - ao tentar contar algum acontecimento de seu dia, é repelido com frases do tipo: “será que não tenho direito de assistir nem ao meu programa preferido?”, exemplifica Mário. Com esta repulsa, o jovem acaba se entocando ou procurando outras companhias. Em ambos os casos, o elo está se rompendo. O abismo se forma, acrescenta Cortella. Na velocidade da evolução da tecnologia - que se desenvolveu mais nos últimos 50 anos que em toda história - vem a velocidade do dia das pessoas. Dorme-se cada vez mais tarde, acorda-se cada vez mais cedo, e, ao deitar-se, ainda fica a sensação de dever permanecer acordado. Há a necessidade de aproveitar o tempo, mas não se sabe ao certo para quê. “Já estamos tão velozes que olhamos o relógio para ver quanto falta, não mais para saber as horas. A nova geração, não. Tem tempo para se dedicar a fuçar no computador. Compram o game novo e instalam eles mesmos, aliás, instalam os programas para os pais e também são os salvadores quando o computador “dá pau” no meio do relatório que o pai levou para continuar a fazer em casa...E é aí que entra uma grande chance de sintonia”. (Lilian Fernandes – 10/09/03)
O caminho mais eficiente para evitar que uma criança se envolva com drogas é a conversa contínua. O Coordenador do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas (GREA), do Departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, André Malbergier deu esta resposta a uma mãe que participava do Encontro para Pais, na Escola Carlitos, zona oeste de São Paulo (SP). A saída é
abordar sempre o tema desde a infância, durante a adolescência
e maioridade, modificando o discurso, acompanhando o passar dos anos.
Esperar a fase da adolescência, para começar a falar sobre
o problema, não é o caminho. “Muitos pais me procuram
quando seus filhos, já com 15 anos, estão envolvidos com
drogas, e perguntam o que fazer com o filho. Mas, se esse pai nunca abordou
o assunto, como vai querer mudar uma vida imediatamente?, questiona o
médico. A principal dúvida e inquietação dos presentes à palestra “Drogas na Família: alguém errou?” era saber qual o teor da conversa que realmente vai surtir efeito numa criança, ao se abordar o tema drogas. Mais de 50 pessoas assistiram à palestra, a maioria pais de adolescentes e pré-adolescentes. Uma criança que mora numa região sócio-econômica menos favorecida, tem o primeiro contato com a droga aos 11 anos. Os mais novos andam nos mesmos grupos que os mais velhos e passam a experimentar drogas cada vez mais cedo. “O problema é multifatorial”, ressalta Malbergier. Segundo ele, crianças com psicopatologias – tímidas, ansiosas, deprimidas, etc – tem predisposição. O efeito da droga no organismo provoca um relaxamento e a sociabilidade aumenta. “Um adolescente tímido, sob efeito do álcool, por exemplo, consegue se relacionar melhor com os amigos, tem mais coragem de beijar uma garota”, complementa. Outra possibilidade é que filhos de alcoólatras sejam dependentes por herança genética. , podem, através da herança genética, se tornar dependente. Na escola, a pressão do grupo ao qual o adolescente pertence também colabora. E, quanto mais precoce for a experimentação, maior o risco do vício, alerta o médico. O governo não
possui uma política concisa de combate ás drogas, nem uma
legislação clara e efetiva, como em outros países
do mundo, disse o psiquiatra. Além disso, o Brasil é um
dos melhores e mais criativos mercados publicitários do mundo.
As campanhas publicitárias de bebidas e cigarros seduzem em cheio
o público alvo: jovens, em pleno momento de auto-afimação. |
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