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Nos últimos anos, os especialistas em educação têm insistido na implantação de uma educação inclusiva. No entanto, pouco se fala na inclusão de pessoas com deficiência no lazer e recreação. Esse é o trabalho de Vinicius Savioli, técnico esportivo da Apabb (Associação de Pais e Amigos de Pessoas Portadoras de Deficência), que ministrou o curso A Recreação e Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais, no primeiro dia de atividades do Saber 2003. "A principal medida a ser tomada para lidar com a inclusão de pessoas com deficiência, é mudar o olhar. É preciso parar de enxergar apenas a deficiência, e passar a vê-los como pessoas", afirma Savioli. "Se isso não for aplicado, corremos o risco de agir como nas escolas especiais, onde tudo é adaptado para eles. Isso faz com que, as pessoas com deficiência não saibam como agir quando estão fora da escola, ao passo que as outras crianças não sabem lidar com elas ", diz. O recreador conta que, inicialmente, teve dificuldades no trabalho porque buscava a satisfação dos participantes baseada nos parâmetros que ele mesmo tinha de satisfação. "Para os participantes especiais, estar feliz não é necessariamente estar rindo. O garoto deve aproveitar as atividades que gosta, e nem sempre irá gostar de tudo o que é proposto", diz. No entanto, Savioli alerta: se houver muita irritação, é porque algo errado está acontecendo. "Temos sim, que respeitar as diferenças, e entender que cada padrão tem suas particularidades ", diz. "Mas se um garoto não respeitar os outros colegas, é preciso impor limites", alerta. "É comum, mas não é correto, achar que todas as atitudes dele são justificáveis porque ele é possui uma deficiência", diz. Durante uma dinâmica, um dos convidados com Sindrome de Down começou a falar ao mesmo tempo que Vinicius, e ele delicadamente pediu que o garoto esperasse ele terminar. Funcionou, pois, como Savioli destaca, é preciso que eles sejam tratados como os outros, até mesmo para que se desenvolvam suas habilidades. "Uma vez uma criança foi para um acampamento conosco, e os pais nos disseram que ela não conseguia comer sozinha. Na hora da refeição, quando todas comiam, perguntamos se ela não ia comer, e ela o fez só. Não devemos deixar que as capacidades deles sejam limitadas por nós mesmos", ressalta. Para isso a família deve estar sempre ativa dentro das atividade e questões do grupo, argumenta o especialista. "Todo mundo está ali com o mesmo objetivo, ou seja, fazê-los mais felizes naquele momento. Não faz sentido separá-los dos pais, pois isso pode virar uma disputa entre eles, os técnicos e os professores. Todos devem trabalhar juntos.", diz. Hoje, Savioli guia seus trabalhos na prática de esportes com inspiração nas Olimpíadas Especiais. Lá, eles participam de um teste, onde são divididos em níveis de acordo com as suas limitações. Sendo assim, todos podem se tornar campeões dentro da sua categoria. "Com o tempo e aumento da auto-estima, o participante vai aprimorando suas habilidades", conta o técnico. Durante o curso, alguns participantes das atividades esportivas e de recreação, uns com deficiência e outros não, falaram sobre suas experiências. Além disso, uma garota com paralisia cerebral falou sobre sua participação nas Olimpíadas Especiais de Toronto, de onde trouxe para o Brasil duas medalhas de prata na patinação no gelo. (Cássia Gisele Ribeiro - 12/09/03) |
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