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O nível de escolaridade das mães de classe A e B dos alunos de escolas particulares brasileiras é superior ao dos pais. Enquanto 33,3% dos pais têm ensino superior completo, 36,1% das mulheres completaram a graduação. Os dados são de um estudo realizado com 16 mil pais de alunos de cem escolas particulares que usam a metodologia Anglo de ensino, entre 25 e 30 de agosto. A pesquisa foi aplicada pelo Instituto Pró-Pesquisa e apresentada durante o primeiro dia de trabalhos do Saber 2003. Apesar de ter sido feita em curto período de tempo, pelo estudo foi possível para os dirigentes do Anglo terem uma idéia do perfil dos pais que compõem a rede particular de ensino. A constatação de que as mães dessas famílias com renda acima de R$ 2,5 mil mensais são mais escolarizadas que os homens mostra uma tendência já considerada mundial: a de que as mulheres estão estudando mais. Segundo Roberto Zammataro, diretor do Instituto Pró-Pesquisa, uma pesquisa anterior, realizada no mês de abril pelo Anglo em sua rede de ensino, constatou que 54% dos alunos, num universo de 100 mil estudantes, eram mulheres, contra 45% de homens. Outro dado relevante da pesquisa é o fato de 48,5% dos lares dessas famílias da classe A e B serem sustentados tanto pelo pai quanto pela mãe. Para Zammataro, o maior grau de escolaridade das mulheres explica-se pela necessidade de estarem preparadas para entrar no mercado de trabalho. O aumento no nível escolar das mulheres é um aspecto positivo na evolução da sociedade e já não é novidade, uma vez que vem sendo constatado desde a década de 90. No entanto, segundo a professora do Departamento de Educação da USP, Claudia Vianna, essa tendência deve ser vista com um olhar mais crítico. “As mulheres estão estudando mais porque sabem das dificuldades sociais que enfrentam. Por isso, é perigoso achar que o problema da desigualdade entre homens e mulheres está resolvido. Elas continuam ganhando, muitas vezes, a metade do que os homens, mesmo quando ocupam o mesmo cargo”, afirma Claudia. “Sua escolaridade não deixa de ser uma forma de sobrevivência”. (Bianca Justiniano – 12/09/03) Mais
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