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Uma garota de sete anos, filha da faxineira da casa, um dia foi trabalhar com a mãe. Naquele dia, o educador dono da casa resolvera "brincar de marceneiro" e, naquele exato momento, estava serrando um pedaço de madeira quando a garota perguntou para que servia o medidor. Ele explicou para que servia e disse também o que eram centímetros. No decorrer da conversa, ela acabou por perguntar como a eletricidade fazia a serra elétrica funcionar. Naquela noite, o educador e psicanalista Rubem Alves conseguiu realizar algo que sempre quis: ensinar uma criança que ainda não havia sido deformada pela escola. "Todos os homens quando criança tem o desejo de aprender", disse ele na palestra, realizada dia 20 passado, durante o Congresso Saber 2002, que aconteceu em São Paulo. "É preciso dar mais atenção a curiosidade da criança", diz Rubem Alves. Por esse motivo, ele se posiciona contra os programas de ensino adotados nas escolas. "Se eu criasse um programa, e dissesse para Dionéia que hoje iríamos aprender como agem os elétrons, ela não ia aprender. A menina estava interessada na serra elétrica", exemplifica. Para Rubem Alves, a escola está tão presa nos seus vícios que deixou de se preocupar com as particularidades de cada aluno e os tratam como se todos fossem iguais. Alves contou a história de uma menina que se recusava a ir a escola. "Primeiro a diretora chamou a mãe, depois o pai, que castigou a criança. Ninguém sabia que a criança tinha um pai que batia na mãe e, por isso, não queria deixá-la com ele". Em sua opinião, é necessário que o conteúdo escolar esteja mais próximo da realidade das crianças. Ele conta que, certa vez, recebeu uma carta em que o garoto dizia que sua professora dava textos do educador para que os alunos lessem. Certa vez, ele consegui sublinhar todos os dígrafos que apareciam. "Eu não sei o que é um dígrafo. Por que um adolescente precisa saber?", indaga. Rubem Alves criticou os estudos de linguística usados na escola. "Saberes conscientes perturbam saberes inconscientes", afirma. "Um poeta nunca mais consegue escrever uma poesia depois de aprender as formas", conclui. |
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