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"O Brasil adotou um modelo de desenvolvimento alicerçado na desigualdade social." A afirmação foi feita pelo secretário da Assistência e Promoção Social, Ricardo Henriques, durante o debate sobre Riqueza e Pobreza, no 1º Seminário Criança Esperança - Igualdade na Diversidade, realizado no Hotel Nacional, em Brasília. "O País não pára de melhorar, mas as distâncias sociais nem sequer são perturbadas", disse. Ricardo Henriques traçou um comparativo sobre a diversidade social a partir das diferenças econômicas e raciais para demonstrar a complexidade do cenário que caracteriza o abismo entre ricos e pobres brasileiros. Ele cita o exemplo da desigualdade no nível de escolaridade entre jovens brancos e negros. Nos últimos 100 anos o aumento do nível foi expressivo, mas a disparidade racial com relação ao tempo de permanência em sala de aula se manteve, ou seja, apesar de crianças e adolescentes, brancos ou negros, estarem freqüentando cada vez mais a escola, a diferença entre o nível de escolaridade desses grupos se mantém. Quanto maior a participação na riqueza, maior é a incidência de brancos. Segundo o secretário, 70% da população que se encontra abaixo da linha de pobreza é negra, enquanto que nos 10% mais ricos a parcela de negros é bastante reduzida. Ricardo Henriques alertou ainda que relação entre as diferenças econômicas e raciais fica evidente quando se observa o fato de que duas em cada três crianças negras que nascem no País são pobres. Distantes da escola, crianças e adolescentes ingressam no mercado de trabalho. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD), realizada pelo IBGE em 2001, cerca de 5 milhões de meninos e meninas estavam trabalhando naquele ano. "Precisamos construir uma nova consciência em relação ao trabalho infantil. Trata-se de uma violação dos direitos fundamentais. Não podemos garantir esses direitos minimamente, e sim plenamente", afirmou a coordenadora do Fórum Nacional de Erradicação e Prevenção do Trabalho Infantil, Isa Maria de Oliveira. Na tentativa de minimizar essas diferenças, o governo federal implementou, em todo o País, cerca de mil programas sociais de atendimento à população de baixa renda. Mas, segundo a senadora Patrícia Saboya Gomes (PPS-CE), atualmente não é possível avaliar o impacto dessas ações na vida da população assistida. "Temos a missão de implantar uma política capaz de avaliar o resultado desses programas", ressaltou. |
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