|
||||||||||||
|
O grupo de trabalho que debateu a situação da população negra do Brasil pôs em evidência a necessidade de atenção à mulher e à criança. "As atuais condições da sociedade, do mercado de trabalho, não favorecem as mulheres negras como chefes de família", afirmou o historiador Ubiratan de Castro, lembrando que grande parte da população feminina afro descendente tem necessidade de trabalhar para manter o orçamento familiar. O principal prejuízo para a criança negra, na opinião de Maria Aparecida Bento, está na questão cultural, na distorção e na desumanização da imagem do negro na mídia e, inclusive, nos livros didáticos, o que é agravado até mesmo pelo tratamento dado pelos professores. "Isso dificulta a firmação da personalidade e da capacidade da criança negra", afirmou. A falta de espaço para participação de pessoas indígenas na elaboração de políticas públicas para sua população foi o ponto mais destacado pelos debatedores que abordaram essa questão. "O Brasil tem uma das melhores legislações no que diz respeito ao povo indígena. Mas ela tem sido pouco útil para a melhoria da qualidade de vida dessa população", salientou o professor Gersen Baniwa. Ele lembrou que a legislação dá direito ao povo indígena de planejar e gerir uma escola de acordo com seus valores. Mas, nos mais de 15 anos em que Baniwa trabalha com educação indígena, ele afirma nunca ter visto uma escola que siga esse modelo. Além disso, segundo ele, de mais de 150 escolas yanomami que existem na região Norte - que abrangem mais de 10 mil crianças - nenhuma é reconhecida ou apoiada pelo Governo. "A criança e o adolescente indígena tem que ter certeza de que tem futuro como membro daquele grupo étnico. Senão, a pressão para que ele abdique de sua identidade é muito grande". Para o psicólogo e diretor do Instituto Promundo, entidade que coordena iniciativas na América Latina voltadas para o desenvolvimento e a saúde dos jovens, Gary Barker, uma das questões que devem ser consideradas nas discussões sobre Relações de Gênero é a expectativa de vida dos homens negros. Segundo Baker, em geral ela é 10 anos a menos se comparada às mulheres, em função de causas externas e da vulnerabilidade. |
|
||||||||||