|
||||||||||||
|
Num mundo que espera resultados a todo custo, empresários sentem-se um tanto confusos: por que os projetos públicos não têm a avaliação de seus impactos como ponto fundamental do trabalho? A questão foi colocada pelo economista Ivo Amparato, diretor do IFC, braço do Banco Mundial que trabalha com o setor privado, durante a mesa-redonda “Condições institucionais favoráveis para parcerias do setor privado com o setor público”. Para ele, esse é justamente um dos grandes entraves do setor público na hora de conseguir parcerias financeiras com os empresários. “Não é só criar incentivos, mas garantias que o dinheiro está sendo bem empregado. E isso não apenas com o capital das empresas, mas com todas as suas ações”, explica. Ao seu lado na mesa, Rubens Naves, do Tranparência Brasil, organização de combate à corrupção, repartiu da mesma opinião e ainda acrescentou: “Além do claro medo da incompetência e da falta de diálogo com o poder público, os empresários ainda sentem uma insegurança jurídica quando pensam em parcerias”. No entanto, a falta de pesquisas conclusivas sobre o assunto, conforme apontado pelos palestrantes, mostra que toda essa desconfiança se baseia em uma leitura distorcida de realidade que cercam os empresários. É como dizer que, frente ao que se vê nas ruas, existe uma falta de coordenação e, com isso, uma perda de recursos. Ou seja, se a cidade está com sérios problemas sociais, a administração pública é incompetente. Uma generalização incorreta e perigosa. Seja como for, Horácio Lafer Piva, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo, não deixa de fazer críticas. “Temos que olhar São Paulo, por exemplo, como business center. Mas a cidade é mal organizada, tem que se preparar melhor e ter metas reais”, crê. Ao ter metas - e todos os debatedores concordaram com isso - a administração pública seria obrigada a fazer avaliações periódicas de seus projetos, e criar, assim, indicadores de resultados. “O empresário está temeroso e inseguro de investir. Não vai dar dinheiro para quem não é pragmático e que não oferece resultado para o seu investimento”. Entenda-se que Piva não fala aqui em ganhos financeiros, mas em impactos sociais reais realizados com o financiamento privado. (Rodrigo Zavala – 27/05/2003) |
|
||||||||||