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“É irônico o fato do desenvolvimento local estar, na maioria das vezes, desvinculado de seu desenvolvimento econômico. As ações contra pobreza e exclusão, que têm avanços sociais significativos, apresentam soluções para a economia aquém do esperado”. A afirmação, feita por Cássio de França, diretor de projetos da Fundação Friedrich Ebert no Brasil, chama a atenção para falta de diálogo entre os setores sociais e econômicos. Durante palestra realizada na Urbis 2003, o especiaista discutiu as tentativas um tanto frustadas de inclusão social e desenvolvimento local de diversos projetos realizados em todo o território nacional. Para França,
mais do que erradicar a pobreza, as ações governamentais
devem reorganizar a estrutura econômica da comunidade, para que
ela não dependa de fatores externos para garantir seu empreendedorismo.
Um exemplo de diálogo eficiente entre comunidade, governo e ações econômicas e sociais agindo conjuntamente está acontecendo em San Salvador, capital de El Salvador, na América Central. Depois de 12 anos de guerrilha civil no país, que deixou a cidade degradada, e após a posse de um governo esquerdista, a democracia começou a ser instaurada no país. Carlos Zamora, prefeito de San Salvador desde maio, conta que a partir de 1997 passaram a ser instauradas na cidade políticas de participação cidadã e de descentralização municipal para acabar com o controle patriarcal que até então tomava conta do país e de sua economia. “Para começarmos o processo de reconstrução da cidade, que tem aproximadamente 20 mil famílias vivendo em situação de risco e marginalidade, dividimos San Salvador em sete distritos, sem qualquer distinção de classes. Cada distrito agora reúne-se com seus sub-prefeitos em fóruns para a busca de soluções para os problemas sociais e econômicos da comunidade”, conta Zamora. Seguindo este exemplo, Aldaíza Sposati reafirmou sua dedicação ao combate aos cinturões de pobreza, “já que uma cidade sempre cresce mais onde há maiores índices de exclusão social”. E ela é enfática: “Isso compromete o presente e, principalmente, o futuro”. (Bianca Justiniano – 25/07/03) |
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