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Num país onde a crise do desemprego nunca esteve igual e um profissional demora em média 64 semanas para se recolocar no mercado, especialistas acreditam cada vez mais que o cooperativismo pode ser uma boa saída. Esse foi o principal assunto abordado durante a palestra Desenvolvimento Econômico e Geração de Emprego e Renda, no último dia do Urbis, pelo Secretário Nacional de Economia Solidária, Paul Singer, pelo Superintendente do Sebrae, José Luiz Ricca, e pelo Secretário de Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo, Márcio Pochmann. Eles defenderam a formação de cooperativas e associações para a geração de novos postos de trabalho. “Acho que a solução não é gerar emprego, mas sim ‘auto-emprego’, também conhecido como empreendedorimo, associativismo e cooperativismo”, disse Singer. Também denominado como “Economia Solidária”, o “auto-emprego”, segundo Singer, vem crescendo absurdamente no Brasil. “Era algo pequeno e experimental até pouco tempo atrás, mas a sociedade civil e empresas têm percebido sua importância e aderido à esse tipo de economia”. De acordo com Singer, só no Estado de São Paulo, mais de 300 empresas teriam fechado suas portas se os empregados não tivessem tomado a frente do negócio. “Isso gera emprego porque as pessoas se organizam para enfrentar a morte”. Ricca, do Sebrae, disse ainda que criar cultura empreendedora no país pode ser o primeiro passo para superar a crise do desemprego. “O empreendedorimo no Brasil surge por necessidade e esse é o motivo pelo qual nasce micro e pequenas empresas extremamente competentes”. Não é para menos que 67% da mão de obra paulista está empregada em empresas desse porte. O problema, segundo o superintendente do Sebrae, é que ainda não há clima no país para esse tipo de empresa, o que faz com que o grau de sobrevivência desses negócios seja baixíssimo. Com a falta de emprego, as micro e pequenas empresas têm sido cada vez mais procuradas. Por elas serem pequenas e seus profissionais serem sua maior riqueza, essas empresas não desempregam. Porém, de acordo com Ricca, micro e pequenas empresas só sobreviverão se resgatarem o valor do associativismo e criarem parcerias com outras empresas de todos os portes. “Não queremos que essas empresas cresçam muito, queremos apenas que elas cresçam em conjunto, pois só assim conseguirão sobreviver e gerar emprego”. Porchmann também disse apostar na “Economia Solidária”. “Essa é uma boa solução para um país onde não há convergência sobre as causas do desemprego e a única coisa que se tem certeza é há uma mudança na composição dele”. O secretário apresentou dados alarmantes sobre o desemprego na cidade de SP: o desemprego cresceu entre pessoas com maior experiência ocupacional e com maior escolaridade; a cada duas pessoas desempregadas, uma tem menos de 25 anos. (Marina Rosenfeld – 28/07/03) |
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