| ||||||||||||
|
Seja qual for o plano governamental para as escolas, não há qualquer preocupação com as desigualdades de gênero que elas podem provocar. É o que opina a coordenadora do grupo de Estudos de Gênero, Educação e Cultura Sexual (EdGES), Cláudia Vianna. Em sua participação na mesa redonda "Política Educacional e Gênero", realizada esta manhã, não deixou de criticar a passividade do Estado frente ao tema. Mesmo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) passaram incólumes pelas severas observações da doutora em educação. "Nenhum deles faz menção de como trabalhar o tema de forma efetiva. E como os professores vão incorporar a discussão se a formação também é deficiente? ", questionou. Vale lembrar, diga-se, que nesse ponto, ela excluiu da discussão os capítulos do PCN que tratam sobre sexualidade, que não estava no conteúdo de suas críticas. O resultado "catastrófico" dessa despreocupação política, na visão da prorfessora, é a reprodução cada vez maior das desigualdades de gênero nas relações. "Geralmente, o professores fecham as portas da saída de aula e acham que podem resolver esses problemas sozinhos. Não percebem que as raízes dessa questão estão também nos livros que utilizam", explica. Rosemary Preston, diretora do Centro Internacional de Desenvolvimento em Educação da Universidade de Warwick, Inglaterra, contribuiu para o debate analisando mais os aspectos sociais e econômicos na formação das políticas educativas, do que propriamente as práticas em sala de aula. Nesse sentido, foi complementar aos argumentos da brasileira. Segundo a educadora, o processo de formulação de políticas se dá em um nível hierárquico dividido em dois grades grupos: racionalidade instrumental, de base e preenchido por uma maioria masculina, e pelo que chama de atividades. O primeiro trata das etapas econômicas, tecnocratas e científicas, que baseiam a elaboração dos projetos. Em segundo lugar estaria o planejamento, a pedagogia, o apoio ao professsor e o currículo. Desta forma, as metodologias pedagógicas, como todo as demais atividades diárias dos professores estão vinculadas ao pensamento dos financiadores, planejadores e gerentes, surdos às preocupações de educadores, na outra ponta das políticas. "Devemos ter políticas que sejam resposta à prática". (Rodrigo Zavala - 25/03/2003) |
| ||||||||||