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O racismo e as questões de desigualdade entre os gêneros têm um peso maior na infância, quando se constitui a identidade do indivíduo. Por essa razão, é nessa fase que tais conceitos devem ser combatidos e esclarecidos. A escola junto a seus educadores tem um papel fundamental na formação da igualdade entre os seres, independente da raça, etnia ou sexo. "Práticas feministas e de desigualdade têm de deixar de ser adultocêntricas", afirmou a psicóloga e professora da PUC-SP Fúlvia Rosemberg, nesta quarta-feira, 26/03, no Seminário Gênero e Educação: Educar para a Igualdade, durante a palestra "O sexismo e o racismo nos livros e práticas escolares". Segundo Fúlvia, o sexismo foi um dos temas mais desenvolvidos pelo feminismo brasileiro, que percebeu nos livros infanto-juvenis e didáticos uma forte representação estereotipada do papel da mulher e do homem ocidental, arraigada no machismo. "Da década de 70 ao ano de 1995 houve uma atenuação no tratamento dado ao estilo de vida de homens e mulheres. Mas o livro didático ainda pode ser visto como uma representação social de dominância na sociedade contemporânea. É comum ainda termos gravuras que representam um homem sentado ao sofá lendo jornal enquanto a mulher está na cozinha", afirma Fúlvia. Fúlvia aponta ainda que, quando os livros didáticos resolvem tratar do tema da diversidade, introduzem personagens negros às histórias, geralmente como "figuras sexuais". Ou seja, não se desvinculam do machismo, e quando tentam ser inclusivos, caem no preconceito racial. Para Eliane Cavalheiro, pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro da Universidade de São Paulo, para combater o racismo no ambiente escolar, desde os livros didáticos ao relacionamento entre as pessoas, é preciso pensar numa educação não-racista e não-discriminatória. Segundo Eliane, essas práticas têm uma raiz mais profunda: a maioria dos cursos de pedagogia, por exemplo, ainda não conseguiram contemplar a questão da discussão de gênero e raça. "O próprio professor não foi instruído a pensar nessa questão, e por isso dificilmente percebe práticas discriminatórias na sua escola, por exemplo. Ele mesmo pode acabar discriminando um aluno, pois nunca refletiu sobre seus preconceitos ou parâmetros sócio-culturais", disse. O evento também contou com a participação da inglesa Hilary Povey, uma estudiosa de temas ligados à justiça social, com enfoque na questão do gênero e na análise da carreira da mulher como professora. (Bianca Justiniano - 26/03/03) |
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