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O Word Education Marketing (www.wemex.com) , que acontece de 21 a 24 de maio em Vancouver, Canadá, reúne mais de dois mil profissionais ligados à educação de diversos países, entre representantes de organizações governamentais e não-governamentais, empresas, universidades, redes de televisão, editoras e portais de Internet. Uma feira de produtos e empresas mostra ao público as principais novidades do mercado, estimado em 2 trilhões de dólares. Conferências e debates procuram determinar "por quem" e "como" é comandado o "negócio" da educação no mundo - e de que forma acompanhar sua transformação constante. A próxima edição do World Education Market foi confirmada: ocorrerá entre 21 e 24 de maio de 2002 em Lisboa, Portugal. Leia a cobertura do WEM - Debate
sobre novas tecnologias divide opiniões
Os palestrantes do WEM não arriscam qual será o formado do sistema de aprendizagem no futuro. Mas defendem que esse sistema terá que conectar as pessoas. Alguns enxergam a tecnologia como fator determinante da qualidade da educação -outros, mais cautelosos, enxergam as impossibilidades de implantação tecnológica nos países em desenvolvimento como uma realidade evidente e limitante. O conhecimento é o ativo de maior valor na nova economia e os investimentos crescentes em educação refletem essa realidade, constatou Walter Stewart, diretor da Silicon Graphics, em sua palestra no Word Education Market. Os investimentos no setor educacional nos EUA já atingem US$ 740 bilhões ou 9,5% do PIB do país, perdendo apenas para a saúde. Para ele, em 10 ou
15 anos, a internet não estará mais confinada aos computadores.
As pessoas estarão imersas em um mundo de realidade em três
dimensões. "Vamos trocar realidades uns com os outros",
aposta. O governo da África do Sul implanta, há algum tempo, centros comunitários de cultura com acesso a internet. Mas, segundo ele, o alto grau de pobreza é uma barreira ao aprendizado. "Os esforços de inserção de novas tecnologias na educação na África do Sul só trouxeram bons resultados em um pequeno numero de escolas que podiam investir em treinamento de professores e materiais pedagógicos", contou. Dick acredita que dá para melhorar a qualidade da educação sem, necessariamente, contar com ferramentas de alta tecnologia. Um exemplo é o trabalho da organização não governamental Read, que produz livros infantis em diversos idiomas sul africanos, e garante sua distribuição ate nas comunidades mais distantes. "Os pais podem ler para os filhos livros em sua língua nativa", afirma. (Patrícia Vasconcellos - Especial para o Aprendiz)
O consultor inglês Keith Yeomans defende o acesso a Internet como fator fundamental para as transformações pelas quais a educação deve passar. Para ele, o acesso já é viável nos paises em desenvolvimento graças à recente abertura dos setores de telecomunicações e à ajuda de paises ricos. Um exemplo desta cooperação internacional é o projeto " Dot Force", que une governos, setor privado e ONGs na luta contra a divisão digital. Para Yeomans, em muitos locais, o processo de aprendizagem via novas tecnologias vai acontecer fora da sala de aula - se é que a sala de aula vai existir no futuro. Os paises em desenvolvimento deverão, segundo ele, desenvolver formatos criativos e com baixos custos que permitam construir suas comunidades virtuais. Como exemplo, Yeomans citou o Senegal, onde a iniciativa privada investiu em telecentros. O Grameen Bank, conhecido por seu programa de microcrédito em Bangladesh, implantou um projeto de acesso a telecomunicações e geração de renda em comunidades distantes. Nele, mulheres desempregadas obtêm financiamento de celulares a taxas baixíssimas e passam a alugar os aparelhos para membros de suas comunidades. Esse formato pode servir, futuramente, para o acesso a Internet. (Patrícia Vasconcellos - Especial para o Aprendiz)
A educação já começa a sentir os reflexos da globalização econômica. A feira e conferência World Education Market (WEM) é um dos indicadores de que o mundo da educação está se transformando em um mercado de educação, estimado em 2 trilhões de dólares* e com participação crescente de investimentos privados. "A globalização já se tornou realidade no mercado da Educação e o WEM é um evento que propicia o estabelecimento de alianças e parcerias", afirma Nelson Heller, presidente da Heller Reports, agência norte-americana de informação em educação. A empresa possui estudos sobre oportunidades de investimento em grandes mercados como Austrália, China, Brasil e Estados Unidos. A comunicação do evento lembra a linguagem usada no marketing de produtos e serviços: "Explore o potencial de um mercado em expansão, descubra as últimas novidades do mundo da educação." A criação de grifes internacionais de educação parece ser um assunto de grande interesse para os expositores. Temas como ensino a distância, universidades corporativas e uso educativo dos meios de comunicação também estão na pauta do dia para as organizações que fazem parte do big business da educação. TV e Educação Universidades querem
ir mais longe Em geral, relatos sobre ensino a distância apontam como vantagens as conquistas tecnológicas, a conveniência e a possibilidade de atingir um maior número de estudantes. Mas ficam no ar respostas acerca da qualidade dos cursos e de seu impacto efetivo sobre a formação dos estudantes. A redução do vínculo entre educadores e educandos também deveria ser acompanhada por estudos aprofundados. Paulo Freire era radical. Dizia que nenhum processo de formação poderia ser feito sem o reconhecimento do valor das emoções, da sensibilidade, da afetividade, da intuição. É compreensível que muitos estudantes procurem soluções práticas adaptadas a suas necessidades, mas se tais soluções são satisfatórias ou não, é uma questão que cabe aos profissionais de educação tentar responder. Vamos torcer para que os conferencistas do WEM lancem luz sobre esse assunto. O novo papel das
empresas Vale refletir em que medida a formação oferecida pelas universidades corporativas (em geral, ligadas a empresas de atuação global) pode fortalecer aspectos culturais e habilidades e competências do público local. Essa reflexão se aplica também às parcerias entre universidades tradicionais, que vêm se intensificando dentro e fora do Brasil. A importância crescente das universidades corporativas será debatida no WEM, em uma mesa redonda que reúne profissionais da Siemens, do Citibank e do Morgan Stanley Dean Whitter. Qual é a
cara da educação global? A maior parte do público do WEM vem dos Estados Unidos, do Canadá e da Europa. Até meados de abril, um mês antes do evento, só estavam confirmados três participantes brasileiros: a Universidade Metodista de São Paulo, a editora Klicknet - dona do portal Klickeducação (www.klickeducacao.com.br) -- e a produtora e distribuidora de vídeos educativos Didak. Os países que não pertencem ao mainstream no mercado mundial da educação precisam refletir sobre o risco de sobreposição cultural, com predominância das culturas de onde proliferam as novas tecnologias. É ótimo poder contar com meios que permitam ampliar o alcance da educação, sobretudo em grandes países com o Brasil. Mas é preciso sempre tomar cuidado com a pasteurização do conteúdo educativo e desenvolver mecanismos de valorização de aspectos inerentes à cultura e aos valores locais. Esse novo fenômeno da educação global precisa oferecer a crianças, jovens e adultos acesso a uma diversidade cultural cada vez maior. O website do WEM exibe uma animação com imagens da palavra educação escrita em diversas línguas, formas e cores. Aos poucos, a palavra em inglês, Education, começa a crescer, até ocupar a tela inteira. É preciso cuidar para que a educação global continue a ter muitas formas e cores e seja falada em todos os idiomas. (Patricia Vasconcellos - Especial para o Aprendiz)
O sucesso da Associação Mirandanet (www.mirandanet.ac.uk) dá pistas sobre como a Internet pode ajudar - ao invés de assustar - educadores. O caminho parece ser feito de processos que ocorram "de baixo para cima", no qual os professores se envolvem na criação das ferramentas. Uma comunidade virtual
promove a educação permanente e a construção
conjunta de conteúdo por professores dentro e fora do país.
Composta por 180 membros, recebe 300 acessos de professores por dia e
capta recursos para financiar intercâmbios internacionais de professores. A iniciativa possibilitou a implementação de projetos que usam Internet em sala de aula. "Os professores só sentem a real necessidade de mudar seu jeito de aprender e ensinar quando se envolvem diretamente no desenvolvimento dos recursos em Internet e participam de suas próprias comunidades virtuais", acredita Christina. A Associação Mirandanet, formada em 1992 no Reino Unido, é fruto de uma parceria entre a Universidade de Londres e empresas da indústria de computação, tais como Compaq e Oracle. (Patrícia Vasconcellos - Especial para o Aprendiz)
A educação nas empresas é mais interessante quando envolve o trabalho de equipes em projetos práticos. Cursos teóricos devem ficar no passado, na opinião dos responsáveis pela educação e treinamento da Siemens (Alemanha) e do banco Morgan Stanley Dean Whitter (EUA). Segundo eles, trabalhar para a criação de um produto motiva os alunos e ajuda a consolidar conhecimentos. A Siemens usa a tecnologia para formar equipes multinacionais e multifuncionais que, durante um ano, implementam projetos inovadores. Cada equipe fica responsável pela escolha dos educadores e pela definição do conteúdo do curso. A tradicional figura do professor dá lugar a uma consultoria que ocorre a partir das demandas dos grupos. Os melhores projetos viram cases que circulam pela empresa. O banco Morgan Stanley Dean Whitter obteve ótimos resultados quando adotou uma metodologia participativa nos treinamentos em Hong Kong, abrindo canais de expressão em lugar da aula tradicional. Para Leslie Freeman, chefe da área de ensino e desenvolvimento do Morgan Stanley Dean Whitter, "um processo de aprendizagem só ocorre a partir de um acontecimento socialmente relevante, que muda algo em nossa maneira de pensar". Ela acredita que a tecnologia pode favorecer a construção de conhecimento, pois permite conectar disciplinas de uma forma que não era possível antes. Mas chama atenção para o perigo do uso da tecnologia para transmissão rápida de informação a baixo custo que, segundo ele, é ineficaz. Embora os investimentos mundiais em educação empresarial já ultrapassem US$ 300 bilhões, segundo estimativas da ThinkEquity Partners, ainda é muito difícil medir seus resultados. Para Udo Dierk, vice-presidente de treinamento da Siemens na Alemanha, a qualidade de um projeto prático pode ser um termômetro eficiente na avaliação dos programas de treinamento. (Patrícia Vasconcellos - Especial para o Aprendiz)
O WEM apresentou os países em desenvolvimento como um mercado promissor para os investimentos privados (em especial, norte-americanos) - as mesas redondas que tratavam de estratégias de sucesso na América Latina e no Oriente Médio foram as mais concorridas, ao contrário das que debatiam estratégias para a América do Norte, que não contaram com um único participante. As barreiras culturais e educacionais evidenciaram-se como uma preocupação para os investidores - que buscam ganho na expansão geográfica. Para Gabriel Zinny, presidente da empresa argentina Edunexo, por exemplo, que oferece serviços online para instituições de ensino, "é difícil consolidar um modelo de negócio em um país pequeno como a Argentina". Hoje, a empresa possui escritórios no México, Brasil, Espanha e parcerias no Equador, Guatemala e Republica Dominicana. No entanto, a estrutura tecnológica de rede disponível no país é também um pré-requisito para o investimento de provedores de Internet e produtores de softwares. (Patrícia Vasconcellos - Especial para o Aprendiz) |
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